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Arquitectura [in] ]out[ Política

Data de publicação: 
17.01.2011

Um bom projecto revela aquilo a que cada um tem direito a desejar e nem sabia

No ecrã, sucedem-se imagens aéreas do Rio de Janeiro, num voo que mostra uma sucessão de favelas, Rocinha, Vidigal e também sobrevoa bairros, Gávea, Copacabana, Jardim Botânico... Ao mesmo tempo, um som estridente invade a plateia da Aula Magna. “Sorria, meu bloco vem bem descendo a cidade..”. A música é do rapper carioca Marcelo d2 e foi com ela que o arquitecto e projectista Jorge Mário Jaurégui abriu a sua intervenção na conferência internacional “Arquitectura [in] ]out[ Política”, incluída na Trienal de Lisboa.

Argentino, Jorge Mário Jauregui está há vários anos sediado no Rio de Janeiro, onde desde os anos 90 investiga e trabalha na questão da habitação e da divisão entre as favelas e os bairros. É um investigador mas também um homem do terreno que consegue colocar de forma simples a “infinita complexidade dos simples” e das questões que enfrenta.

“Não existe uma receita para uma intervenção arquitectónica”, diz Jaurégui, mas cada caso implica que antes da formulação do projecto se tenham em conta aspectos fundamentais. A leitura das estruturas do lugar e a descontaminação de preconceitos, o cruzamento de disciplinas são essenciais, bem como a necessidade de se ouvirem as reclamações dos habitantes do lugar onde se vai intervir, para se poder interpretar.

“Um arquitecto não tem de responder a pedidos, tem sim que interpretar os pedidos”, sublinha Jorge Mário Jaurégui. Um projecto arquitectónico é bom, é positivo, quando revela “aquilo que as pessoas têm direito a desejar e nem sabiam. E isso vai muito além da resposta ao cliente”, salientou o arquitecto, cuja intervenção, enquadrada no painel Cidadania, suscitou grandes aplausos às centenas de estudantes e arquitectos presentes na Aula Magna.

Outra intervenção muito aplaudida foi, curiosamente, a de um arquitecto que embora anunciado não pode estar fisicamente presente na conferência: Yona Friedman, cujas propostas a assistência da Aula Magna ficou a conhecer através de uma entrevista em vídeo ali exibida.

Reduzir as dependências de consumos de energia e construir menos são alguns dos postulados de Yona Friedman, arquitecto húngaro residente em Paris, conhecido pelo manifesto “L’Architecture Mobile” e pelo conceito da cidade espacial (La Ville Spatiale).

“Estamos a construir de mais e a minha proposta é que se mude isso. Que se reduzam as dependências e se deixe de construir a mais”, afirmava na entrevista Yona Friedman, que defende igualmente a multifuncionalidade dos espaços de uma cidade. Nesse sentido, apresentou propostas ousadas, como a de utilizar os Champs Elysées como um estádio no período nocturno, em que não tem outro uso.

Ideias novas e experiências fora dos parâmetros habituais foram igualmente as apresentadas por Jeffrey Inaba, director do C-Lab, o Columbia Laboratory for Architectural Broadcasting, centro de investigação da Universidade de Columbia e editor redactorial da revista Volume, publicada nos Estados Unidos.

“Usar as ferramentas da arquitectura para falar de arquitectura, de forma a que o público perceba o impacto que ela tem na vida das pessoas” são apostas da Volume, editada por Jeffrey Inaba, que ilustrou a sua comunicação com temas abordados em diversas edições da revista, como A Arquitectura do Poder  e a Arquitectura da Paz.

Na edição intitulada Storytelling (contar histórias), Jeffrey Inaba utilizou a fotografia para ilustrar as inesperadas sestas que os habitantes de Tóquio fazem, deitando-se no chão, em qualquer hora do dia e em qualquer ponto da cidade, onde, ao contrário do que se possa pensar, como sublinhou, , “eles sentem-se em segurança”.

“A arquitectura é a arte da hipnose, uma técnica de sugestão” disse por seu turno Andrea Cavaletti, professor de Estética  e Literatura Contemporânea na Universidade Iuav, de Veneza.

Outras abordagens foram feitas, como a apresentada pelo arquitecto e crítico de arquitectura Ricardo Carvalho, que analisou diversos projectos portugueses contemporâneos à luz de quatro premissas; compromisso, crítica, inconformismo e irrisão.

“Toda a arquitectura é política e nem pode deixar de o ser. Mas a arquitectura não é uma prática que possa ser subversiva, porque trabalha sempre com diversos graus de compromisso”, afirmou Ricardo Carvalho.

“Esse compromisso não é constante e, por vezes, toma-se como certo que a coerência conceptual está garantida num projecto, mas não. Por vezes, a arquitectura coloca-se de forma acrítica, ao serviço de manifestações populistas”, salientou.

A conferência “Arquitectura [in] ]out[ Política”decorreu dias 15 e 16 de Janeiro, na Aula Magna, e tratou-se de uma iniciativa do programa da Trienal de Lisboa 2010 que contou com o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.