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Apesar dos fracassos, a República inovou e deixou um património fundamental

Data de publicação: 
25.03.2011

Apesar dos fracassos e da incapacidade para alargar a rede escolar a todo o país, como era o seu grande objectivo, a República “deixou-nos um património fundamental do ponto de visita legislativo, pedagógico e de missão da escola ”. 

As palavras são de Maria João Mogarro, investigadora do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, que foi uma das oradoras no colóquio “Nos Cem anos da Reforma: o quotidiano na escola republicana”, realizado dia 24 de Março, no Palácio Valadares, em Lisboa.

Para esta especialista em História da Educação, “do ponto de vista educativo, o património deixado pela República foi ainda uma referência fundamental no pós 25 de Abril de 1974. E é ainda nos pedagogos da educação nova que nos reconhecemos”, sublinhou.
Mas terá a República trazido em tudo inovação? Nem sempre. Porque, “na prática, ainda que os princípios da Educação Nova estivessem presentes no discurso pedagógico, muitas escolas funcionavam ainda segundo o modelo tradicional e também houve continuidades”, salientou Maria João Mogarro.

“A maior parte da rede escolar estava instalada em edifícios degradados e em espaços sem condições para a função educativa”.
 “As práticas inovadoras surgiam sobretudo em instituições de referência”, em muitos casos particulares, como a Escola Oficina nº1 e o Instituto Feminino de Educação e Trabalho (mais tarde Instituto de Odivelas).

Ainda assim, “houve também inovação em escolas oficiais”, e um dos exemplos foi a Escola Normal do Porto, como destacou por seu turno Margarida Felgueiras, especialista em Ciências da Educação e investigadora do CIIE da FPCE da Universidade do Porto, que falou sobre os métodos e os modos de ensino.

A título de exemplo de que a inovação passou por algumas escolas oficiais, Margarida Felgueiras mostrou algumas páginas de um caderno diário datado de 1924, pertencente a uma professora primária, de nome Maria Júlia. Profusamente ilustrado, este caderno continha inúmeros desenhos feitos pela mestra, que nele anotava não só os horários, com disciplinas que iam do canto, à jardinagem e aos trabalhos manuais, como também a planificação mensal de actividades, “um aspecto a que era dada muita importância”.

“Quando se diz que a inovação não se passou nas escolas oficiais, isso deve-se à ignorância”, sustentou Margarida Felgueiras.
No colóquio, que pretendeu assinalar a passagem dos cem anos da reforma do ensino primário em 1911, falou-se também do ensino técnico e profissional, outra área a que a República deu importância e onde a frequência cresceu exponencialmente.

“A competitividade económica passava pela escola técnica”, como assinalou Luis Alves, professor no departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que apresentou dados segundos os quais nos institutos comerciais o crescimento na frequência foi de 83.6 por cento.

“Foi o momento – a par do período de 1948 – onde o ensino técnico foi mais capaz de responder aquilo que se lhe pedia”, sublinhou.
Luis Reis Torgal, coordenador do CEIS da Universidade de Coimbra, utilizou várias caricaturas da época para ilustrar o tema das Universidades. “O novo redemptor”, a caricatura publicada nas páginas do jornal O Século a 13 de Abril de 1911, mostrava os professores a venerarem António José de Almeida, o ministro do Interior, “a quem se ficou a dever a primeira reforma estrutural do ensino”.

Numa outra, publicada também em O Século, a 12 de Janeiro de 1911, intitulada “Feriado Interessante”, assinalava-se a concessão da licença de parto, e noutra ainda, “Alma Mater – A Mamã dos Bacharéis”, de Rafael Bordalo Pinheiro, criticava-se o excesso de bacharéis.

Sobre o quotidiano, Reis Torgal centrou-se no da Universidade de Coimbra, onde, com a República, atiraram-se abaixo os púlpitos e desapareceram as cerimónias académicas – que só reapareceram em 1918.

“A capela fechou e só reabriu pontualmente para a missa do 30 dia da morte de Sidónio Pais e a título definitivo só no Estado Novo”.
Luis Reis Torgal falou também de algumas pioneiras que frequentarem a Universidade, como Domitila de Carvalho, a primeira mulher a formar-se em Coimbra. “Entre 1910 e 1926 houve 282 mulheres na universidade mas quase todas muito conservadoras. A única republicana foi Cristina Torres, que no Estado Novo foi afastada do ensino”.

Da mulher e o ensino na república falou Maria Alice Samara, investigadora da FCSH da UNL, para quem este é “um território de desigualdades”.

Para além do contexto escolar, lembrou, houve outros contextos de alfabetização, o doméstico, por exemplo. Foi em casa que Ana de Castro Osório estudou.

Mas na generalidade “o acesso ao ensino é feito pelas mulheres que têm mais possibilidades económicas, ou seja, por uma minoria” que, na maior parte dos casos era constituída por “mulheres bastante conservadoras, excepção feita a Maria Veleda”, acrescentou Alice Samara. Maria João Mogarro contrapôs no entanto, que na Escola Normal de Lisboa, metade das alunas pertenciam a extractos sociais pobres, muitas delas vindas de asilos.

E se “a política republicana no ensino ficou aquém das expectativas”, ainda assim, segundo Alice Samara, na República “abriu-se um espaço de debate que permitia que as mulheres começassem a pensar a sua própria história”.