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“A voz das vítimas” em exposição no Aljube

Data de publicação: 
15.04.2011

“A voz das Vítimas”, que pretende ser o embrião de um Museu da Liberdade e da Resistência, pelo qual tem pugnado o movimento Não Apaguem a Memória (NAM).

Organizada pelo NAM, em parceria com o IHC da FCSH da UNL e com a Fundação Mário Soares, a exposição contou com o apoio financeiro da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e da Câmara Municipal de Lisboa.

Mal se entra, começa a ouvir-se uma voz que vai desfiando nomes e histórias de dezenas de pessoas que, percebe-se depois, foram mortas pelas polícias políticas entre 1928 e 1965. As grades estão ainda presentes na sala do piso térreo onde se reproduz o Parlatório do Aljube – a zona onde os presos recebiam visitas, sempre vigiados por guardas e agentes da PIDE.

“O Aljube era um lugar sinistro”, acentuou, na inauguração da exposição Mário Soares, um dos presos políticos que na década de 60 por lá passou e que se lembra de lá ter estado muito antes, quando tinha apenas seis anos, em visita ao pai, João Soares, ali preso.

Além de sinistro, o Aljube era então um edifício degradado, como se constata numa carta patente na exposição, datada de 1930, em que o director da cadeia solicitava ao então ministro das Obras Públicas, a realização de obras urgentes no edifício. Até porque, sublinhava o director, sendo “uma prisão política é visitada por pessoas categorizadas” a quem o Aljube causava uma “má impressão”.

Do espólio da exposição constam vários autos de busca e apreensão feitos pela PIDE, surpreendentes nos dias de hoje, como o que é relativo ao livro “A Emancipação da Mulher”, editado pela ASA.

Na sala dos arquivos, há gavetas para todo o tipo de suspeitos a vigiar e perseguir: de movimentos como o MUD, a LUAR, o PCP, as organizações maoístas e socialistas, mas também pessoas e locais do quotidiano: os médicos, os liceus e os teatros eram também suspeitos.

Sobre a tortura praticada pela PIDE falam os testemunhos gravados com ex-presos políticos, constantes dos arquivos da RTP, que se podem ver e ouvir na exposição. Mas na prisão também se cantava - baixinho, obviamente - como se pode ouvir num dos ”curros” reproduzido na exposição, em que a voz de Artur Pinto, um dos presos políticos que passou pelas exíguas celas de isolamento do Aljube, entoa uma música de José Afonso.

Edmundo Pedro, General Sousa Dias, Francisco Catarino, Agostinho Neto, António Dias Lourenço, Arlindo Vicente, Palma Inácio, José Dias Coelho, Aurora Rodrigues, Bento Gonçalves, Conceição Matos são apenas alguns dos 47 “casos exemplares” ilustrados na exposição, onde também se contam as histórias de fugas célebres e arrojadas, como a de Francisco Paula de Oliveira, “Pável”.
No Aljube dos tempos da PIDE também houve casamentos, “por procuração e à distância, é certo”, como recordou Mário Soares na inauguração.

“As pessoas dizem-me muitas vezes que isto em Portugal vai mal. Vai mal sim, mas não tem comparação nenhuma com o que foi a ditadura”,salientou o antigo Presidente da República.