Recortes de Imprensa

  • 23.05.2011
    Mundo Português
    Escudo regressa numa exposição patente na Casa da Moeda

    O que levou o Governo Provisório a introduzir o escudo em 1911, quando começou a ser produzido e como evoluiu a moeda nacional ao longo dos tempos e até à entrada em circulação do euro, em 2002. Estas são algumas das questões a que a exposição «O Escudo: a nova unidade monetária da República» dá resposta. Organizada pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, em parceria com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, pode ser visitada até 15 de Julho.

    Inaugurada no dia 17 deste mês e comissariada pelos docentes Nuno Valério (do Instituto Superior de Economia e Gestão) e Maria Eugénia Mata (da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa), a exposição «O Escudo: a nova unidade monetária da República» pretende dar a conhecer o que levou à criação do escudo e a sua evolução até 2002. 

    Organizada pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM), está dividida em seis núcleos ao longo dos quais se apontam as razões da República para uma reforma monetária, mas também as razões da Monarquia que, nos últimos anos já discutira projectos com idêntico objectivo, como sucedeu com o que foi apresentado em 1904 pelo Partido Regenerador, de Hintze Ribeiro.

    Os novos modos de pagamento, com novas moedas e notas e o funcionamento do sistema bancário são também analisados nesta exposição, em que se mostram igualmente as grandes oscilações da nova moeda, com as desvalorizações sofridas na sequência da I e da II Guerra Mundial e durante o restante período em que vigorou.

    O presidente da INCM, Estêvão de Moura, espera que a exposição seja vista pelo maior número de pessoas, “tanto pelas gerações mais novas, a quem o escudo já pouco diz, como pelos mais velhos, que poderão vê-la com algum saudosismo”, declarou citado no site do Centenário da República.

    A exposição, onde se podem ver as diferentes moedas e notas produzidas durante a I República, traça também um quadro da evolução do valor do escudo, desde 1911 até à actualidade. Num painel pode ver-se por exemplo que, em 1911, o valor do escudo era equivalente ao do dólar.

    Mas a moeda da República desvalorizou em vários períodos da sua história – até à introdução do euro - e o custo de vida subiu 3500 vezes. O escudo de 1911 valeria hoje 17,50 euros.

    O euro começou a fazer parte da vida dos portugueses a 1 de Janeiro de 2002, mas até 28 de Fevereiro, o escudo foi utilizado a par da nova moeda nas carteiras dos portugueses. A partir de 1 de Março desse ano, e após 91 anos de circulação, a moeda republicana portuguesa desapareceu.

    «O Escudo: a nova unidade monetária da República» está patente até dia 15 de Julho na Casa da Moeda (Av. António José de Almeida, Lisboa) e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas. A entrada é livre.

    A.G.P.

  • 20.05.2011
    Jornal de Negócios
    Escudo – a moeda da República

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    Nos últimos anos da Monarquia, surgem dois projectos de reforma monetária que propunham o luso e o cruzado. Mas foi o escudo, já na República, que foi adoptado como moeda nacional. Quais as razões para uma reforma monetária? Como se comportou a moeda ao longo dos seus 91 anos? A exposição "O Escudo: a nova unidade monetária da República" conta-lhe toda a história. Está na Casa da Moeda até dia 15 de Julho.

    Em 2001 eram necessários 2.836 escudos para comprar algo que custava 1 escudo em 1911. Este Domingo, dia 22 de Maio, faz 100 anos que o Decreto-lei de 1911 estabeleceu uma nova unidade monetária no País. A sua história está na exposição: "O Escudo: a nova unidade monetária daRepública", uma mostra promovida pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, em parceria com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Eis a reforma monetária de 1911 a cem anos de distância.

    Os mil reis passaram a um escudo. Caiu a figura da realeza, apareceu a República E, por isso, na Casa da Moeda viveu-se uma espécie de revolução tecnológica: era a luz a mover os aparelhos. Compraram-se, então, dois laminadores eléctricos, um agitador eléctrico para os metais liquefeitos que substituiu a pá manual; uma serra eléctrica que tirou o lugar ao martelo-pilão no corte de barras metálicas. Foi adquirido, também, um torno de redução ou pantógrafo eléctrico e um forno a gás. A par desta revolução eléctrica, tambémumaoutranovidade.Pelaprimeira vez, ede forma explícita, previa-se a contratação de operários do sexo feminino para a oficina do selo.

    Mas quais as razões que levaram o Governo provisório de então a procedera uma reforma monetária? "Era necessária uma unidade monetária mais cómoda. O valor do real era muito pequeno (aproximadamente equivalente a 1,8 cêntimos de euro actuais). Conseguiu-se, com o escudo, uma moeda mil vezes maior", comenta o professor do ISEG, Nuno Valério, um dos comissários da exposição, a par com Maria Eugenia Mata, professora da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. "Por outro lado, trata-se de uma reforma monetária feita por motivos políticos, já que as moedas em uso tinham as efígies dos reis e o próprio nome real evocava o regime político deposto", indica. Um outro objectivo, não alcançado, previa a restauração do regime monetário do padrão-ouro, suspenso em 1891. Restabelecer o que era então considerada a normalidade monetária era importante para a afirmação de Portugal e para o acesso aos mercados financeiros internacionais.

    Surgia, assim, o escudo, que tinha como múltiplo o conto e como submúltiplo o centavo, como constava no Decreto Lei de 22 de Maio de 1911, que teve como principal responsável José Relvas, ministro das Finanças do Governo Provisório. Ainda antes, durante os últimos anos da Monarquia haviam sido apresentados dois projectos de reforma monetária. Um deles, datado de 1904, previa a adopção da unidade monetária luso, equivalente a 200 reis. Esse projecto sugeria a inserção de Portugal na União Latina, acordo celebrado em 1865 entre a Bélgica, França, Itália e Suíça, que implicava a utilização da mesma moeda Um outro projecto propunha o cruzado, que equivalia a 400 reis. Mas, caída a Monarquia, surge a reforma monetária que elegeu o escudo a moeda oficial de Portugal.

    Uma moeda que demorou algum tempo até ser cunhada. Só em vésperas da I Guerra Mundial. Uma moeda marcada pela alternância entre períodos de estabilidade e de rápida desvalorização devido à inflação. Uma moeda que existiu durante cerca de 90 anos até 2001. A sua história está na Casa da Moeda até dia 15 de Julho.

  • 17.05.2011
    Açoriano Oriental
    Exposição recorda escudo

    Uma exposição na Casa da Moeda, em Lisboa, pretender dar a conhecer o porquê da introdução do escudo, a moeda da República, que sobreviveu até à entrada em circulação do euro, em 2002.

    A exposição "O Escudo: a nova unidade monetária da República" é comissariada pelos docentes Nuno Valério e Maria Eugênia Mata. Nuno Valério, professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), diz que um dos aspectos "mais interessantes" da exposição, até pela sua "ligação à actualidade", prende-se com uma noção "de qual era o valor do escudo" na altura da sua implementação, em 1911, "e uma ideia de qual foi a sua evolução" ao longo de cem anos.

  • 17.05.2011
    Correio da Manhã
    Exposição - Casa da Moeda mostra história do escudo. Preços sobem 3500 vezes

    escudo correiomanha

    Uma dezena de painéis iluminados e uma vitrina, juntos numa vintena de metros quadrados no átrio da entrada da Casa da Moeda, à avenida António José de Almeida, em Lisboa, valem por muitos estudos e lições de História.

    Contam génese e vida da moeda da República e mostram como o custo de vida ficou 3500 vezes mais caro desde que o ministro José Relvas, o mesmo que proclamou o novo regime na varanda da Câmara de Lisboa, apostou no regresso de Portugal ao padrão ouro. Na prática, o escudo de 1911 vale hoje 17,50 euros.

    A primeira das razões para criar a nova moeda, o escudo, teve a ver com a vontade de fazer desaparecer as efígies dos reis do dia-a-dia dos portugueses. Nuno Valério, professor do Instituto Superior de Engenharia e Gestão e autor da exposição, em colaboração com Maria Eugénia Mata, refere que o propósito foi retardado pela falta de metal para cunhar moedas, devido ao eclodir da I Guerra Mundial (1914-18). Constata por outro lado que a monarquia pensou numa reforma monetária em Março de 1910, com o anúncio do cruzado, que devia valer 400 réis. O 5 de Outubro acabou com o processo, mas há quem se lembre do cruzado ou 40 centavos com que se comprava uma carcaça.

    O escudo republicano representou uma actualização mais audaz. Valia mil réis, e a sua criação marcou também a entrada da então nova energia eléctrica na produção de moeda em Portugal. Na Casa da Moeda da rua de São Paulo, duas laminadoras eléctricas passaram a trabalhar em paralelo com seis outras a vapor, um agitador substituiu a pá manual e uma serra eléctrica arrumou com o martelo-pilão. O torno de redução ou pantógrafo foi também electrificado. E assim continuou até hoje.

  • 16.05.2011
    Lusa
    Exposição recorda a introdução do escudo

    Uma exposição na Casa da Moeda, em Lisboa, pretender dar a conhecer o porquê da introdução do escudo, a moeda da República, que sobreviveu até à entrada em circulação do euro, em 2002.

    A exposição "O Escudo: a nova unidade monetária da República" que vai ser inaugurada na terça-feira, é comissariada pelos docentes Nuno Valério e Maria Eugénia Mata.

    Nuno Valério, professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), diz que um dos aspetos "mais interessantes" da exposição, até pela sua "ligação à atualidade", prende-se com uma noção "de qual era o valor do escudo" na altura da sua implementação, em 1911, "e uma ideia de qual foi a sua evolução" ao longo de cem anos.

    "Os preços são hoje cerca de 3.500 vezes em média superiores ao que eram nessa altura", lembrou o historiador económico.

    O escudo nasceu por decreto do regime republicano, a 22 de maio de 1911, e sobreviveu até à entrada em circulação do euro, em 2002.

    A exposição na Casa da Moeda divide-se em seis núcleos, começando por uma perspetiva sobre o porquê de uma reforma monetária em 1911 e apresentando em cronologia algumas das diferentes notas e moedas que marcaram a existência do escudo.

    A reforma de 1911, recorda Nuno Valério, foi feita por motivos políticos, já que as moedas em uso tinham as efígies dos reis e o próprio nome real "evocava o regime político deposto".

    No entanto, sublinha o especialista em história económica, outra razão motivou a mudança: o real era uma moeda "com um valor muito pequeno e convinha arranjar uma unidade monetária mais cómoda, o que se conseguiu" com o escudo, uma moeda "mil vezes maior e claramente superior em valor, na altura, ao euro atual", disse.

    A exposição "O Escudo: a nova unidade monetária da República" estará patente na Casa da Moeda até 15 de julho. A pré-apresentação de hoje à imprensa contou também com uma visita à área da produção de moeda, tendo sido revelado que as máquinas que produziram o escudo são as mesmas que fabricam o euro.

    PPF

  • 06.05.2011
    Jornal de Notícias
    Aliança Eterna. O Queen Elizabeth's School tem participado em várias iniciativas no âmbito de programas de intercâmbio educativo

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    O projecto educativo da Queen Elizabeth's School (QES) assenta no estreitamento dos laços históricos, culturais e atlânticos entre Portugal e o Reino Unido, mantendo o culto da aliança mais antiga do mundo e no ensino precoce do Inglês como segunda língua, a par da educação pré-escolar e do currículo oficial português do primeiro ciclo do ensino básico, por recurso a uma metodologia inovadora aplicada em alguns países da União Europeia no domínio da Aprendizagem Integrada de Línguas e Conteúdos (AILC). O ensino do Inglês é validado internacionalmente pelos "Young Learners English Tests" da Universidade de Cambridge e nos "Integrated Skills in English" (ISE o e 1) do Trinity College Lon-don, correspondentes aos níveis A1, A2 e B1 do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas. A Q.E.S. tem participado em parcerias no âmbito de programas de intercâmbio educativo e cultural a nível nacional e europeu bem como em projectos inovadores promovidos pelas mais diversas instituições ligadas ao sector da educação. Nos anos lectivos 2010/2011-2011/2012, a QES está a coordenar, pela segunda vez, uma parceria multilateral entre escolas europeias no âmbito do Programa Sectorial Comenius. A instituição participou com os seus alunos na "Volta às Capitais Europeias", no âmbito do Ano Europeu do Voluntariado 2011. Na sequência das comemorações do Centenário da República, candidatou-se ao concurso "Desde quando verde combina com vermelho? A minha t-shirt da República", promovido pela Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e Plano Nacional de Leitura, tendo ganho o 1º prémio da categoria 2 -1º ciclo do ensino básico.

  • 28.04.2011
    Região Sul
    Loulé: Livro de memórias da algarvia Maria Veleda vai ser apresentado na alcaidaria do castelo

    A alcaidaria do castelo de Loulé vai receber, dia 6 de maio, às 18:00 horas, a apresentação do livro «Memórias de Maria Veleda – feminista, republicana, escritora e conferencista», com introdução e notas de Natividade Monteiro.

    Nas comemorações do Centenário da República, este volume, que será apresentado por Luís Guerreiro, chefe de divisão de Cultura e Museus da Câmara Municipal de Loulé, constitui uma homenagem à sua autora, natural do Algarve.

    Trata-se de “uma escritora brilhante e sensível, conferencista das mais insignes, republicana coerente, feminista entusiasta que, pelo seu perfil e percurso singular, marcou o movimento de emancipação feminina e a época em que viveu”, recorda a autarquia louletana.

    As «Memórias de Maria Veleda» testemunham como ela e as companheiras “participaram e influíram no rumo dos acontecimentos, ao lado dos chefes republicanos que as incentivaram a lutar pela república e as convenceram de que a causa da democracia era a causa do feminismo e que as reivindicações feministas seriam satisfeitas logo que eles chegassem ao poder”.

    “A República trouxe-lhes algumas vitórias e muitas desilusões mas os ideais e os valores que as nortearam permanecem vivos e constituem um património de memória histórica que é preciso valorizar e preservar”, explica-se.

    Maria Carolina Frederico Crispim nasceu em Faro em 1871 numa família burguesa. O pai, com ascendentes britânicos, era personalidade com relevo na vida social e cultural local. Faleceu, porém, em 1882, deixando a família em dificuldades.

    A jovem Maria Carolina, que tinha tido uma educação cuidada e convivia, desde cedo, com livros, jornais e teatro, decidiu, aos 15 anos, conquistar autonomia de vida, dedicando-se ao ensino, dando explicações particulares.

    Em 1896 vai para Lisboa, com um filho que adotara cinco anos antes. Exercerá o professorado em Odivelas, Ferreira do Alentejo, Serpa, antes de regressar a Lisboa em 1905. Em 1899 tem um filho de uma ligação com o escritor Cândido Guerreiro, com quem no entanto decidira não casar.

    Publicista de excelentes recursos, colaborou em jornais locais, publicou textos de intervenção e peças de teatro. Tornou-se uma figura cimeira do feminismo e enfileirou no republicanismo. Tem uma larga participação em ambos os movimentos, entre 1905 e 1921. Usou o nome «de guerra» de Maria Veleda.

    “Maria Veleda foi uma mulher pioneira na luta pela educação das crianças e os direitos das mulheres e na propaganda dos ideais republicanos, destacando-se como uma das mais importantes dirigentes do primeiro movimento feminista português”.

  • 20.04.2011
    DN
    INTERNET COMO ERA SER CRIANÇA HÁ 100 ANOS?

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    http://criancas.centenariorepublica.pt

    Como era ser criança há 100 anos? Como eram os brinquedos? Por que livros se estudava? E como se entretinham os mais novos? Canções e brincadeiras de há 100 anos, com advinhas, histórias e lenga-lengas que há um século faziam parte da vida quotidiana dos mais pequenos podem agora ser encontradas no sítio na Web República das Crianças. Com uma cinemateca, onde se encontram pequenos filmes do inicio do século XX, quando o cinema dava os primeiros passos, e ainda dotado de uma fonoteca, onde se podem ouvir e conhecer as pautas das músicas da época, este sítio na Web tem bastante entretenimento e mostra até como construir os brinquedos que então faziam as delícias dos miúdos: o bufa-gatos, as gaitas, o pára-quedas e o carriço.

  • 19.04.2011
    Agência Ecclesia
    Exposição: A Lei da Separação - Estado e Igrejas na República

    O Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças, em Lisboa, inaugura esta quarta-feira, às 17h00,a exposição «A Lei da Separação – Estado e Igrejas na República».

    O programa da sessão, divulgado pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, inclui as intervenções de Francisco Sarsfield Cabral, da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e Sérgio Ribeiro Pinto, comissário da exposição e investigador do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa.

    O primeiro núcleo da mostra - “A caminho da Lei” – apresenta as diferentes visões acerca da organização do Estado e as suas funções, as instituições religiosas e o seu papel, que foram ocasião de divisões e disputas que envolveram a administração pública, a Igreja Católica, as confissões religiosas que aguardavam o fim da confessionalidade e as diferentes sensibilidades republicanas.

    Em “Concórdias e Conflitos – A aplicação da Lei da Separação de 1911”, ilustra os afrontamentos políticos e sociais associados às práticas e tradições das comunidades locais.

    A terceira secção, “A ‘nova’ Lei da Separação”, aborda o período da Grande Guerra (1914-1918), decisivo na evolução da República e na consideração do fenómeno religioso. Neste contexto, o movimento liderado por Sidónio Pais fez uma avaliação crítica da Lei e da sua execução, procedendo à sua reforma e tentando pacificar os conflitos originados por causa dela.

    Por fim, em “Divergências e Convergências na longa execução da Separação” são propostos significados e leituras da legislação, que teve leituras contrastantes, através de exemplares dos vários núcleos documentais em processo de disponibilização pelo Arquivo Digital do Ministério das Finanças.

    Após as alocuções iniciais da sessão de inauguração segue-se uma visita guiada à exposição, que pode ser visitada até 31 de agosto (com entrada livre), de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 17h00.


    SNPC

  • 17.04.2011
    Público
    100 anos da Lei da Separação. Ainda há questões pendentes entre Estado e Igreja

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    Um jesuíta a caminho da prisão, foto em The Sphere a 22/10/1910


    O Estado deve pedir desculpa à Igreja Católica pelos erros da I República?
    (excerto da notícia)

     

    O reitor da Universidade Católica defende que o Estado deve um pedido de desculpa aos jesuítas pela expulsão de que estes foram alvo. O PÚBLICO ouviu vários investigadores

    O Estado deve pedir desculpa à Igreja pelo que se passou na I República? Ou devolver bens nacionalizados com a implantação do novo regime? Estas hipóteses surgem, de tempos a tempos. O reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, defende que haja um pedido de desculpa pelo menos aos jesuítas, expulsos do país logo a seguir ao 5 de Outubro de 1910.

    "Há 100 anos houve pessoas expulsas, perseguidas, assassinadas pelo simples facto de serem religiosos", diz, em declarações ao PÚBLICO. Os jesuítas eram acusados de ser "grandes apoiantes" do Partido Nacionalista. "Mas qual é o crime? Foi por serem religiosos que foram expulsos."

    Há dois anos, por ocasião de um congresso sobre o padre António Vieira, Braga da Cruz defendera a ideia, dizendo que "seria justo se o Estado português pedisse desculpa aos jesuítas" por ocasião do centenário da República, assinalado em Outubro passado. Tal não seria "um gesto de reconciliação, mas de reconhecimento pelo que os jesuítas têm feito pela cultura portuguesa".

    Ilícito e anacrónico, pensa Luís Salgado de Matos, investigador, que acaba de publicar A Separação do Estado e da Igreja. "Provavelmente, António José de Almeida diria que o Papa devia ter pedido perdão à República por não condenar as incursões monárquicas que fizeram vários mortos."

    Salgado de Matos foi um dos investigadores que esta semana participaram, em Lisboa, no congresso internacional sobre o passado e a actualidade da Lei de Separação, cujo centenário passa no próximo dia 20.0 autor de O Estado de Ordens diz que a comparação com os judeus é ilícita: estes "não eram poder em Portugal, no século XVI, quando foram objecto de uma minichacina e depois expulsos." Nem faria sentido, acrescenta, reclamar direitos sobre a propriedade: "É difícil, em regime de união Estado-Igreja, dizer o que pertence à Igreja e o que pertence ao Estado. [Na Monarquia], não havia distinção de personalidade jurídica entre Igreja e Estado. A Igreja poderia reclamar também o Terreiro do Paço. Esse raciocínio é um anacronismo jurídico."

    O exemplo dos judeus serve a Jorge Martins, autor dos três volumes de Portugal e os Judeus e director da colecção Sefarad, para defender o pedido de desculpa, mesmo que tal não signifique "pedir perdão por todas as atrocidades cometidas ao longo da História". Mas, diz, "no momento em que se debate a Lei da Separação, parece-me consistente que o Estado português ganharia em pedir perdão pelas perseguições e pela humilhação pública de todos os clérigos, sabendo-se como se sabe que entre eles havia apoiantes da República".

    Jorge Martins recorda os pedidos de perdão de João Paulo II, entre os quais os referidos aos crimes da Inquisição. E que, em 1989, Mário Soares, então Presidente da República, pediu, "em nome de Portugal, (...) perdão aos judeus pelas perseguições que sofreram na nossa terra".

    O historiador relembra a edificação de três memoriais no Largo de São Domingos pelas vítimas do massacre judaico de Lisboa de 1506. Um deles é da Igreja Católica. Nele está inscrito um texto do patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, condenando "as violências intoleráveis contra o povo hebreu, a triste sorte dos cristãos-novos, (...) as delações, os processos temíveis da Inquisição".

    João Miguel Almeida, que tem estudado o papel dos católicos na transição republicana, pergunta, em relação aos jesuítas, "por que não pôr D. Duarte também a pedir perdão?". E explica: "A expulsão dos jesuítas não é um exclusivo da I República. Os republicanos não devem sentir-se mais culpados do que os monárquicos liberais ou que a monarquia absoluta". O historiador recorda que a expulsão dos jesuítas tinha sido decretada pelo Governo monárquico dias antes da implantação da República. E acrescenta a sua dificuldade em defender o perdão por aquilo que foi feito por gerações anteriores.

    Rita Mendonça Leite, autora de Representações do Protestantismo na Sociedade Portuguesa Contemporânea, concorda com o princípio de que o actual regime não é responsável por aquilo que foi feito no início do século XIX. "Corremos o risco do anacronismo do julgamento. Considerando que houve perseguição, a melhor maneira de resolver a questão é estudá-la, reflectir sobre os erros e não os repetir."

    O papel político de padres e bispos é recordado por Bruno Cardoso Reis para explicar a confessionalidade do Estado e o contexto da época. Mas o autor de Salazar e o Vaticano (onde estuda o processo que levou à Concordata de 1940) diz que o pedido de perdão deve ser limitado a questÕes-limite: ao contrário da Igreja e dos pedidos de perdão do Papa João Paulo II, que tinham outra lógica por trás, "a História não pode tomar partido: deve ser rigorosa e não disfarçar o lado violento dos acontecimentos."

    António Marujo