Recortes de Imprensa

  • 16.02.2011
    Lusa
    Inauguração da exposição EDUCAR. EDUCAÇÃO PARA TODOS. ENSINO NA I REPÚBLICA

    Ministra da Educação na inauguração da exposição Educar no dia 16 de Fevereiro de 2011

  • 16.02.2011
    Lusa
    Sistema educativo está a colher os frutos do ideário da I República

    "A República lançou sementes que foram germinando. Há muitos caminhos na área da Educação e hoje estamos a colher frutos desde ideário que envolveu as gerações que nos antecederam na construção de um sistema educativo que é frequentado por todas as crianças. O sonho da República era abrir a escola a todos e nós hoje temos isso plenamente conseguido", afirmou Isabel Alçada.

    A ministra da Educação falava aos jornalistas no final da inauguração da exposição "Educar. Educação para todos. Ensino na I República", que vai estar patente no Palácio Valadares, no Largo do Carmo, em Lisboa, até 30 de junho, de acesso livre.

    Ao longo de mais de uma dezena de salas é possível conhecer de que forma o ensino foi uma das grandes apostas dos republicanos, através dos temas a educação cívica e patriótica, os manuais escolares, o ensino primário, o secundário, o ensino técnico e profissional, o ensino científico e experimental, as universidades, as consequências do acesso da mulher ao ensino e a festa da árvore.

    O ambiente de uma sala de aula de há 100 anos e a possibilidade de consultar digitalmente alguns dos manuais da altura são algumas das principais atrações da exposição, que faz parte das comemorações do Centenário da República.

    "Podemos dizer que estas ideias que na altura eram muito progressistas hoje estão plenamente assumidas na escola. Alargámos e atualizámos aquilo que no fundo já estava em embrião no ideário dos pedagogos da I República", acrescentou Isabel Alçada.

    Questionada sobre a continuação dos protestos de algumas escolas do ensino privado com contrato de associação, a ministra reconheceu que alguns colégios "não estão satisfeitos", o que explica por estarem habituados a um "financiamento amplo".

    "Nunca sou muito apologista de protestos. Acho que é muito mais no diálogo que se chega a entendimento", defendeu.

    O presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva, revelou que esta iniciativa deveria ter sido realizada no ano passado, mas devido a constrangimentos orçamentais foi adiada, tendo a situação sido desbloqueada com a ajuda do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, que acabou por não marcar presença na cerimónia, ao contrário do previsto.

    MLS

  • 16.02.2011
    Público
    Exposição - Um mergulho na educação de há cem anos
    publicoeducar_157x111 Mais do que uma exposição, é uma viagem no tempo. Uma mergulho na escola de há cem anos. Uma sala de   aula com direito a palmatória, mas também os pedagogos. Os objectos e os conceitos com que os republicanos e maçons quiseram construir o "Homem Novo". Fotografia de Miguel Manso.

    Laico, burguês, moderno, científico e racional, o ensino republicano nasceu formalmente há cem anos e as suas principais características e protagonistas vão estar representados em Lisboa, no Palácio Valadares (antiga Escola Veiga Beirão), de hoje até 30 de Junho. Eixo central do pensamento republicano e positivista europeu, o ensino é visto pelos republicanos e maçons como o meio para construir a nova sociedade, que se deseja mais participativa e igualitária.

    É a educação que permite que se construa o "Homem Novo", o cidadão da República. E claro a cidadã. A concepção de família burguesa nuclear e patriarcal reconhece à mulher o papel da educadora, da mãe, dessa nova realidade que é a criança. Não já um homem em ponto pequeno, mas uma criança com uma realidade e características psicológicas próprias, que tem que ser cuidado e formado para ser o cidadão pleno.

    Daí a importância da educação, cuja realidade em Portugal é retratada nesta exposição, que tem como comissária a historiadora Maria Cândida Proença. É a forma como essa revolução, para alguns a grande contribuição da República, se realizou em Portugal que está patente ao longo das salas organizadas em função do que foi a nova escola. Desde uma sala de aula propriamente dita aos pedagogos, como João de Barros ou João de Deus Ramos ou ainda António Sérgio, Adolfo Coelho e Bernardino Machado.

    Feita a pensar nas crianças de hoje, a exposição aposta nos materiais interactivos, nos ecrãs tácteis, ou em materiais tradicionais, como uma parede em que um jogo de cubos móveis permite conhecer a vida de figuras da história portuguesa e que foram idolatradas pelo patriotismo republicano.

    A escola dava a instrução, a alimentação, a higiene e até as botas. Emprestadas, atenção. Para fazer os exames, o da primeira ou da segunda classe ou só o da quarta. As concepções republicanas de ensino existiam já antes do 5 de Outubro. Desde 1895, com a criação da Associação do Registo Civil, nascem escolas para combater índices de analfabetismo que atingiam os 80 por cento. Exemplo: escolas-oficina, Voz do Operário, centros republicanos. Escolas Oliveiras Lopes, lê-se no armário que guarda a palmatória, a balança, o tinteiro, a lousa. Inauguradas a 3 de Outubro de 1910, as escolas dos irmãos Oliveiras Lopes, "os brasileiros", então recém-regressados da aventura da emigração, permanecem hoje como museu em Válega, Ovar. Esta sala de aula de há cem anos, onde até existe o escarrador e o ábaco, é a peça mestra da exposição, pela viagem no tempo que representa.

    São José Almeida

  • 15.02.2011
    Lusa
    República/100 anos: Exposição mostra obra republicana no ensino com mostra onde não falta a menina dos cinco olhos

    A reprodução de uma sala de aulas com cem anos, criada em vésperas da implantação da República, é uma das atrações da exposição Educar que é inaugurada na quarta-feira, em Lisboa, e que pretende mostrar a obra republicana no ensino.

    Inserida nas comemorações do centenário da República, a exposição divide-se em onze salas, repletas de imagens e de frases de alguns dos grandes pensadores republicanos da educação.

    Até 30 de junho, os visitantes poderão conhecer “o papel desempenhado pelo ideal educativo na formação e consolidação do republicanismo português”.

    Ao ensino primário é dado grande destaque, existindo uma sala dedicada a este período de instrução na infância e na qual se pode ver material original de uma escola primária criada no ano da implantação da República.

    As mesas de madeira, o quadro de giz, as imagens de plantas, animais e do corpo humano estão expostas numa mostra em que não falta a “menina dos cinco olhos” e até um escarrador.

    A exposição começa por mostrar o papel dos centros escolares republicanos e de outras instituições similares na instrução dos mais novos, mesmo antes de 1910.

    Por esta razão, estão expostos artigos emprestados por alguns centros escolares republicanos ainda em funcionamento, como uma urna de voto maçónica, livros de honra – um dos quais com a assinatura do ator Vasco Santana – exemplares da Cartilha Moderna e diplomas de honra a grandes republicanos, como Afonso Costa.

    Os símbolos da República – hino, bandeira, moeda – merecem destaque em uma das salas desta exposição que conta com muita música de fundo, alusiva aos temas, e permitirá consultas interativas.

    Na sala da biblioteca é possível conhecer mais sobre os manuais escolares utilizados para a instrução das crianças e jovens em regime republicano.

    O ensino secundário e universitário, bem como a formação técnico profissional, são igualmente revisitados nesta mostra que dedica uma sala ao papel das mulheres que passou a ser mais valorizado, nomeadamente através da sua formação secundária e superior.

    O ensino científico e experimental é tratado nesta exposição através da reprodução de um laboratório que indica como se investia em áreas como a eletricidade ou os raios X.

    A mostra termina com a sala da árvore, numa alusão à Festa da Árvore que se associava à regeneração da sociedade e tinha sido divulgada pela maçonaria ainda antes de 1910.

    Nesta sala, está presente uma oliveira – árvore da paz – e pode ver-se a parte de uma árvore que foi plantada em 1896 até que, em 2003, foi queimada num incêndio que destruiu arte do pinhal de Leiria.

    Como explicou a comissária da exposição, Maria Cândida Proença, a presença desta parte da árvore pretende mostrar os períodos decisivos da história de Portugal que a mesma percorreu.

    A Festa da Árvore, que era motivo de união e participada pelas crianças em ambiente festivo, alude ao poder da mesma que “cresce em liberdade e que a todos acolhe com os seus ramos”.

    A exposição Educar é organizada pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e está patente no Palácio Valadares, antiga escola Veiga Beirão.

    SMM

  • 10.02.2011
    Descubra Portugal
    Educar. Educação para todos. O ensino na I República

    A exposição do Centenário “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” será inaugurada no dia 16 de Fevereiro, às 17h00, no Palácio Valadares, no Largo do Carmo, em Lisboa.

    A inauguração contará com a presença do Exmo. Sr. Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira e da Exma. Sr.ª Ministra da Educação, Isabel Alçada, bem como do presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva.

    Nesta exposição, que conta com o apoio da Parque Escolar e que se distribui por onze salas da antiga escola Veiga Beirão, dar-se-á a conhecer aquela que foi uma das grandes apostas dos republicanos, o ensino. O ambiente de uma sala de aulas de há 100 anos será reconstituído no Palácio Valadares, onde se falará da obra republicana no ensino desde as últimas décadas da monarquia.

    Dia 24 de Março, assinalando o centenário da aprovação da reforma do ensino primário, realizar-se-á o Colóquio “Nos cem anos da Reforma: o quotidiano na escola republicana”.

    De acesso livre, a exposição “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” estará aberta diariamente, das 10h às 18h, até dia 30 de Junho.

    A partir de 16 de Fevereiro, a exposição terá também um sítio na Web, visitável em http://educar.centenariorepublica.pt.

     

  • 10.02.2011
    Algarve Portal
    Exposição "Educar. Educação para todos. O ensino na I República"

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    A exposição do Centenário “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” será inaugurada no próximo dia 16 de Fevereiro, às 17h00, no Palácio Valadares, no Largo do Carmo, em Lisboa.

    A inauguração contará com a presença do Exmo. Sr. Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira e da Exma. Sr.ª Ministra da Educação, Isabel Alçada, bem como do presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva.
    Nesta exposição, que conta com o apoio da Parque Escolar e que se distribui por onze salas da antiga escola Veiga Beirão, dar-se-á a conhecer aquela que foi uma das grandes apostas dos republicanos, o ensino.

    O ambiente de uma sala de aulas de há 100 anos será reconstituído no Palácio Valadares, onde se falará da obra republicana no ensino desde as últimas décadas da monarquia.

    A evolução do pensamento pedagógico e as inovações introduzidas pela República, a educação cívica e patriótica, os manuais escolares, o ensino primário, o secundário, o ensino técnico e profissional, o ensino científico e experimental, as universidades, as consequências do acesso da mulher ao ensino, e a festa da Árvore constituem os diferentes temas a abordar na exposição.

    A historiadora Maria Cândida Proença é a comissária da exposição “Educar. Educação para todos. O ensino na I República”, no âmbito da qual se realizam visitas guiadas e diversas actividades destinadas às escolas, que podem ser marcadas através de marcarvisitas@centenariorepublica.pt.

    Dia 24 de Março, assinalando o centenário da aprovação da reforma do ensino primário, realizar-se-á o Colóquio “Nos cem anos da Reforma: o quotidiano na escola republicana”.

    De acesso livre, a exposição “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” estará aberta diariamente, das 10h00 às 18h00, até dia 30 de Junho.

    A partir de 16 de Fevereiro, a exposição terá também um um sítio na Web, visitável em http://educar.centenariorepublica.pt.

  • 10.02.2011
    Visão
    Ensino segundo a República

    O Palácio Valadares (antiga escola Veiga Beirão), no Largo do Carmo, em Lisboa, acolhe, a partir de quarta-feira, 16, e até junho, a exposição Educar. Educação para Todos. 0 ensino na I República.

  • 10.02.2011
    Descubra Portugal
    Educar. Educação para todos. O ensino na I República

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    A exposição do Centenário “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” será inaugurada no dia 16 de Fevereiro, às 17h00, no Palácio Valadares, no Largo do Carmo, em Lisboa.

    A inauguração contará com a presença do Exmo. Sr. Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira e da Exma. Sr.ª Ministra da Educação, Isabel Alçada, bem como do presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva.

    Nesta exposição, que conta com o apoio da Parque Escolar e que se distribui por onze salas da antiga escola Veiga Beirão, dar-se-á a conhecer aquela que foi uma das grandes apostas dos republicanos, o ensino.

    O ambiente de uma sala de aulas de há 100 anos será reconstituído no Palácio Valadares, onde se falará da obra republicana no ensino desde as últimas décadas da monarquia.

    Dia 24 de Março, assinalando o centenário da aprovação da reforma do ensino primário, realizar-se-á o Colóquio “Nos cem anos da Reforma: o quotidiano na escola republicana”.

    De acesso livre, a exposição “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” estará aberta diariamente, das 10h às 18h, até dia 30 de Junho.

    A partir de 16 de Fevereiro, a exposição terá também um sítio na Web, visitável em http://educar.centenariorepublica.pt.

     

  • 10.02.2011
    Algarve Digital
    Educação e Formação » Exposição "Educar. Educação para todos. O ensino na I República"

    A exposição do Centenário “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” será inaugurada no próximo dia 16 de Fevereiro, às 17h00, no Palácio Valadares, no Largo do Carmo, em Lisboa.

    A inauguração contará com a presença do Exmo. Sr. Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira e da Exma. Sr.ª Ministra da Educação, Isabel Alçada, bem como do presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva.

    Nesta exposição, que conta com o apoio da Parque Escolar e que se distribui por onze salas da antiga escola Veiga Beirão, dar-se-á a conhecer aquela que foi uma das grandes apostas dos republicanos, o ensino.

    O ambiente de uma sala de aulas de há 100 anos será reconstituído no Palácio Valadares, onde se falará da obra republicana no ensino desde as últimas décadas da monarquia.

    A evolução do pensamento pedagógico e as inovações introduzidas pela República, a educação cívica e patriótica, os manuais escolares, o ensino primário, o secundário, o ensino técnico e profissional, o ensino científico e experimental, as universidades, as consequências do acesso da mulher ao ensino, e a festa da Árvore constituem os diferentes temas a abordar na exposição.

    A historiadora Maria Cândida Proença é a comissária da exposição “Educar. Educação para todos. O ensino na I República”, no âmbito da qual se realizam visitas guiadas e diversas actividades destinadas às escolas, que podem ser marcadas através de marcarvisitas@centenariorepublica.pt.

    Dia 24 de Março, assinalando o centenário da aprovação da reforma do ensino primário, realizar-se-á o Colóquio “Nos cem anos da Reforma: o quotidiano na escola republicana”.

    De acesso livre, a exposição “Educar. Educação para todos. O ensino na I República” estará aberta diariamente, das 10h00 às 18h00, até dia 30 de Junho.

    A partir de 16 de Fevereiro, a exposição terá também um um sítio na Web, visitável em http://educar.centenariorepublica.pt.

  • 09.02.2011
    Diário Digital
    O regresso em pleno de Quim e Manecas

    quim_manecas

    «Quim e Manecas 1915-1918 Stuart Carvalhais», organização, introdução e glossário de João Paulo de Paiva Boléo, é um dos livros que ficam das Comemorações do Centenário da República. Editado pela Tinta da China, esta obra é obrigatória para os amantes da BD nacional e mundial, mas não só, já que todos deviam conhecer em pormenor a obra de um português que encantou e fez reflectir milhares de pessoas com o seu traço, a sua sátira e as suas opiniões.

    João Paulo de Paiva Boléo reuniu cerca de duas centenas de pranchas das «Aventuras de Quim e Manecas», dois miúdos lisboetas que aos poucos vestiram o papel de heróis nacionais, mas também internacionais, já que participaram com enorme coragem na I Guerra Mundial. Com uma edição cartonada de grande formato, nada falha nesta obra, já que João Paulo Paiva Boléo, um dos maiores especialistas em BD portuguesa, contextualiza num belo texto a importância dos traços de Stuart Carvalhais. O autor apresenta inclusive um glossário fundamental que ajuda o leitor a compreender algumas das referências da época. Sem dúvida, um livro obrigatório em qualquer biblioteca…
     
    O centenário da República foi fundamental para a concretização desta obra?
    Foi, sim, porque se não fosse o patrocínio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República nenhuma editora se teria abalançado a esta edição, necessariamente dispendiosa. E é de facto a mais importante BD portuguesa da I República e relacionada com a I República. As Comemorações (de que alguns «bem pensantes» gostam de dizer mal, mesmo que delas também beneficiem de algum modo) têm sempre o mérito de congregar vontades e possibilitar ou estimular a produção de obras que de outra forma não se realizariam. E em total liberdade intelectual.

    E como surgiu o convite da Tinta da China? Ou foi o contrário?
    A Tinta da China surgiu como uma das poucas editoras com provas dadas para poder realizar com qualidade uma edição difícil e exigente como esta. Foi uma escolha da Comissão com a concordância das restantes partes envolvidas, ou seja, o CNBDI (Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem) da Amadora e a minha pessoa, a que a editora aderiu com entusiasmo. Eu fui convidado pela Comissão (através da Prof.ª Fernanda Rollo) por sugestão da directora do CNBDI, Dr.ª Cristina Gouveia. E já agora também é justo realçar todo o apoio e disponibilidade da família, na pessoa do Engenheiro Mário Stuart.

    Quais dificuldades teve para a realização deste trabalho?
    Muitas, difíceis de resumir. Desde logo as primeiras 75 pranchas pertencem à fase grande do Século Cómico que é muito rara e de difícil acesso. E para lá da sua reprodução eu tive que reler a série várias vezes para o trabalho introdutório. Por outro lado, nem toda a bibliografia é de fácil acesso e a obra de Stuart encerra algumas dúvidas, lendas e mistérios. Outra dificuldade não menos desafiante foi a minha ideia («ousada» para um não historiador) de um glossário para ajudar a contextualizar uma série de referências nem sempre fáceis de descodificar, e algumas ficaram mesmo em aberto. Outro tipo de dificuldade esteve na conjugação dos vários «actores» e na excessiva demora de algumas tomadas de decisão. Claro que depois houve também questões técnicas, na sua maioria bem resolvidas, num caso ou noutro nem tanto. Convém não esquecer que se trata essencialmente de fac-simile, e que às vezes o próprio «original» (isto é, o Século Cómico, pois desta época não há verdadeiros originais da série) tinha defeito, ou a falta de uma letra, ou uma impressão menos boa, etc. Aproveito, aliás, para chamar a atenção para um lapso. O formato do livro é um «meio termo» entre O Século Cómico grande e o pequeno, digamos mais ou menos entre A3 e A4. Ora, no final diz-se que em ambos os casos houve redução, quando a partir da prancha 76 (página 114) houve uma pequena ampliação e não redução.

    Defende que as «Aventuras de Quim e Manecas» foi uma das mais importantes da Europa, algo desconhecido pelo grande público, inclusive pelos amantes da BD, muito virados para a BD franco-belga. Como justifica isso?
    Outra questão que nos levaria longe. O que não está escrito em inglês cada vez mais «não existe» internacionalmente. E no que à BD diz respeito isso ainda é verdade também em relação ao francês. Por outro lado, os franceses (e belgas) são muito zelosos dos seus pergaminhos e não gostam que os «outsiders» se intrometam com precursores que lhes possam «fazer sombra». É ver a coisa como um «campeonato», o que é provinciano e ridículo, mas os seres humanos (com excepções, claro) são muito assim. Por outro lado, a circulação das formas é algo de aleatório e complexo. Quando se fala a propósito do Quim e Manecas da data aqui em causa (1915) em missing link ou chaînon manquant, o elo que falta entre a BD norte-americana e a europeia é simbólico, porque não se sabe se por exemplo o Alain Saint-Ogan, que em 1925 (10 anos depois!) criou o Zig et Puce conheceu o Quim e Manecas, e é provável que não, enquanto que é sabido que o Zig et Puce foi fundamental para Hergé – daí que já tenha visto chamar chaînon manquant precisamente ao Zig et Puce, mas neste caso no contexto francês. Só que as obras não devem deixar de ter uma leitura autónoma na data e contexto em que são realizadas. E embora houvesse coisas muito giras anteriores em França e noutros países, como Portugal, ninguém fazia em 1915 na Europa BD com a qualidade e a modernidade desta série de Stuart, e numa quantidade que está para lá da curiosidade anedótica. É mesmo uma grande obra. Só nos Estados Unidos se fazia mais e melhor. Daí que eu diga que em matéria do tal «campeonato» é pena que Stuart tenha abandonado os balões ao fim de cerca de uma trintena de páginas, mas isso não afecta o seu valor global. Mas é preciso ler mesmo para se poder formar opinião - e agora qualquer um pode fazê-lo, dantes só os investigadores nas principais bibliotecas (e mesmo isso com cada vez mais restrições). Mas atenção: leia-se com o mesmo olhar com que se lêem outras obras da mesma época, não é com dez vezes mais exigência.

    Claro que mesmo quando houver (se houver algum dia) uma tradução francesa e outra inglesa deste livro, mesmo assim vai levar muitos anos a «impor» Stuart junto da Intelligentsia que «manda» na história da BD europeia, mas deu-se um primeiro passo decisivo, pois para uma primeira abordagem basta olhar de boa fé.

    Numa selecção informada das grandes BDs europeias (como a exposição patente em Bruxelas neste momento, Trésors de la BD Européenne), não deveria deixar de figurar Quim e Manecas. Mas atenção, eu aqui sublinho mais a qualidade do que ser preponderante, que isso na Europa não foi, por desconhecimento e razões de peso cultural do país. Em Portugal sim. Quim e Manecas foi um grande sucesso, marcou gerações de muitas formas, percorreu, embora sem o esplendor inicial, várias décadas, é uma referência, como se costuma dizer, incontornável. Embora tenha sempre permanecido uma obra pessoal. É como que o ex-libris de um dos nossos maiores artistas gráficos, com uma obra imensa, muito acarinhada mas no fundo a precisar de mais atenção. Repare que, por exemplo, na exposição patente no CCB e que privilegia a BD portuguesa depois do 25 de Abril, estão dois mestres do passado, Rafael Bordalo Pinheiro e Carlos Botelho, mas Stuart está ausente. E no entanto um autor presente (Richard Câmara), no contexto precisamente do Centenário da República, fez uma recriação modernizada do Quim e Manecas.

    Como foi a relação do público com as «Aventuras de Quim e Manecas»? Era uma BD aguardada com alguma expectativa?
    Todas as fontes e todos os depoimentos apontam nesse sentido. O filme perdido de 1916, o merchandising, os diversos produtos derivados, o jogo, bolachas, etc., as referências nos jornais, a presença, por exemplo, na importante BD de Cottinelli Telmo em 1920, tudo indica que o sucesso e a popularidade foram enormes, era uma série acompanhada, querida, e que passou a ser referência em diversos contextos sociais.

    Uma das primeiras curiosidades ao lermos as pranchas é termos balões de falas nas pranchas e, posteriormente, caixas de textos tradicionais? Porque essa mudança? Não foi precisamente o «movimento» contrário que se verificou um pouco por todo o lado?
    Naquela época na Europa (ao contrário dos Estados Unidos) os pedagogos eram contra os balões. Em diversos países e publicações importavam-se BDs norte-americanas a que tiravam os balões e punham textos (muitas vezes em verso) por baixo. Não se sabe exactamente o processo que levou ao fim dos balões no Quim e Manecas, mas com atenção percebe-se que foi com alguma relutância que Stuart os abandonou, pensando-se que terá havido influência dos pedagogos (ou das ideias pedagógicas) através de responsáveis ligados ao jornal, e nomeadamente Acácio de Paiva, autor de muitos dos textos e director do Século Cómico. O «movimento», como diz, só se verificaria mais tarde, e aí Saint-Ogan e depois Hergé teriam na Europa um papel fundamental.

    Mas era normal em 1915 termos balões de falas nas BD?
    Como já vimos, não. Os balões só se imporiam na Europa na década de 30, o que dá às primeiras pranchas de Quim e Manecas, desde logo nesse aspecto, um valor incomparável.
    Pode-se catalogar as histórias criadas por Stuart Carvalhais? Por exemplo, a I Guerra merece destaque nas suas pranchas. Há outras «tendências» mais explícitas?
    Suart era por natureza «incatalogável». Para não me alongar diria que é uma BD republicana por excelência, mesmo que isso já não seja tão óbvio em relação ao próprio Stuart.

    Os valores da recente República foram excessivamente transmitidos através das pranchas? Considera as mesmas de certo modo políticas?
    O facto de ser verdade que esta BD não é só (e talvez nem principalmente) para crianças não lhe tira o cariz de «brincadeira» (no melhor sentido), de sátira, de peripécias várias que jogam com várias aspectos e vários estímulos da sociedade, cinema, arte, aspectos sociais, etc., e claro, a Grande Guerra. De modo que muitas pranchas podem ser consideradas políticas (algumas mais directamente, outras mais subtilmente), mas não no sentido de fazer doutrinação (como fazia, por exemplo, na mesma época, Manuel Monterroso na Montanha para as Crianças, no Porto), mas ou como defesa de questões de fundo ou, inversamente, como sátira.
     
    Apesar de ser um confesso republicano, Stuart Carvalhais acaba por questionar alguns dos valores da República. Esta dicotomia acaba por mostrar a sua independência?
    Não sei se Stuart era um confesso republicano, mas é natural que ele tenho seguido o caminho de muitos – esperança e desencanto. As eventuais (e aparentes) contradições confirmam de facto a sua independência. Stuart era um homem livre, crítico, com uma efectiva solidariedade, que foi vivencial, pelo povo e pelos deserdados, e isso sobrepunha-se a posicionamentos políticos mais esquemáticos.

    Nas últimas pranchas já há a preocupação de criar alguma expectativa no público, as histórias têm sempre continuação. Essa mudança deveu-se a quê?
    Não é só no final – a primeira história de continuação (que começa no Século Cómico grande e acaba já no pequeno, ainda estamos em 1916) é o «Pé Fatal», paródia aos filmes em episódios muito populares na época. A criação da série não tinha um planeamento muito elaborado e a extensão dependia das temáticas que iam sendo criadas e convocavam episódios mais curtos ou mais longos, alguns relacionados com acontecimentos recentes. Podem realmente detectar-se vários ciclos.

    Como qualificaria as invenções de Manecas na obra? Com o tempo, principalmente com o decorrer da Guerra, ela acaba por ser preponderante na trama, tornando ela própria uma «personagem». Ou não?
    Manecas, que só é «bebé» no bibe, e que no fundo não tem idade, é de facto o grande herói da série, a grande e principal «personagem», muito mais do que o Quim.
    Trata-se de uma grande inventividade que é de Stuart e é também do contexto. Para não ir mais longe, pois já havia ideias fantásticas dessas em autores de BD e cartoonistas, nomeadamente ingleses e norte-americanos, o que não tira originalidade e pessoalidade a Stuart, valia a pena fazer um trabalho sistemático de análise da Ilustração Portuguesa (onde o Século Cómico foi integrado a partir de Julho de 1916) no que se refere a engenhos e engenhocas presentes na I Guerra Mundial, e mesmo criações imaginosas de artistas estrangeiros, e confrontá-los com o Quim e Manecas. Esse progresso técnico, entre criações arrojadas e outras absolutamente bizarras, era extremamente estimulante para um artista vivo e imaginativo como Stuart.

    Qual a invenção que mais admira?
    Boa pergunta! Tinha que fazer um catálogo das invenções (o que também era uma boa ideia). Gosto muito da pesca dos alemães, por exemplo, na página 124 do livro, ou os alemães apanhados nos sapatos marítimos pelos laços (página 202), mas a que me impressiona mais é talvez a das lupas colossais que põe Berlim a arder, pela verosimilhança e pelo lado premonitório (página 152).

    E a prancha que mais aprecia em termos estéticos? E de história?
    Há montes, claro, mas escolheria duas ou três. Partindo do livro, as páginas 61, no fundo do mar, e 80, que conclui no zimbório da Estrela, o episódio de Quim na guilhotina (110-111), o belíssimo ciclo em várias cores nas páginas 114-119, o Gil Goes (173), enfim... Quanto a histórias, além do «Pé Fatal», sei lá, as ruas de Lisboa, o ciclo das profissões, a célebre prancha (página 57) que começa em francês e acaba em italiano, e que antecede uma semana sem história porque o autor não sabia como safar os heróis (!), e, claro, as invenções e os combates com os alemães.

    Pedro Justino Alves