Recortes de Imprensa

  • 30.07.2010
    Jornal Letras, Artes & Ideias
    A revolução sem cravos

    28_jul_10_revolucionarios

    Na Cordoaria, em Lisboa, celebra-se a República. Neste imenso espaço que foi, em tempos, uma fábrica de cordame para navios da Marinha, pode-se revisitar com pormenor a História do regime instaurado a 5 de Outubro de 1910. Na exposição Viva a República há de tudo para todos os públicos: uma grande aula de História, um jogo que reconstitui a viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral e uma loja onde é possível comprar postais, sabonetes comemorativos e até um bigode republicano. A não perder, até Outubro.
    Maria João Martins

    Há uma vibração de esperança nas fotos a preto e branco expostas na Cordoaria. Multidões nas ruas de Lisboa e Porto enfrentam com confiança a câmara do repórter. São anónimos que saíram à rua para apoiar a República e que, noutras circunstâncias, teriam a maior dificuldade em posar para a fotografia. Mas ali, no preciso momento em que se fechou o obturador da máquina, estavam iluminados pela candura de quem, do futuro, espera tudo porque a República, tão ansiada por muitos, acabara de triunfar. Acrescentássemos nós os cravos nas espingardas e quase não as distinguiríamos de outras fotos, tiradas, 64 anos mais tarde, a 25 de Abril de 1974.

    Ao todo, Viva a República é composto por oito núcleos que correspondem a outros tantos momentos do regime, desde a génese do movimento republicano em Portugal até à instauração da ditadura militar, em 1926, que conduziu ao salazarismo. No percurso (longo, recomendando-se, por isso, calçado confortável), o visitante é convidado a viajar, entre muita iconografia e referências informativas, jornalísticas e literárias, ao longo de mais de meio século da História de Portugal, com grandes expectativas de mudança e as correspondentes desilusões. «A ideia - explica ao JL, Fernanda Rollo, membro da Comissão das Comemorações do Centenário da República - é apresentar uma visão tão abrangente quanto possível deste período estruturante da nossa História contemporânea, relacionando os acontecimentos políticos com a sociedade, a economia, mas também a cultura e o desporto. Do mesmo modo, colocamos Portugal no contexto internacional, até porque a nossa República foi instaurada quando na Europa só a França e a Suíça não tinham regimes monárquicos. Essa faceta de inovação a nível mundial ainda não foi suficientemente sublinhada pela historiografia e pela literatura sobre o tema.»

    No princípio vemos uma Monarquia constitucional em processo de decadência. Em 1876, com D. Luís solidamente instalado no trono, foi constituído o primeiro Diretório do Partido Republicano, que teve a sua grande manifestação pública inicial quatro anos depois, nas comemorações do tricentenário de Camões. Uma década mais tarde, já com o filho, D. Carlos, como rei, a espiral de acontecimentos encarregar-se-ia de transformar a ideia de república numa alternativa de poder: ao Ultimatum inglês de 1890 seguir-se-ia a revolta de 31 de Janeiro, a ditadura de João Franco e uma intolerância crescente à monarquia que culminaria com o regicídio.

     Na Cordoaria, são-nos dados a ver numerosos testemunhos dessa efervescência, alguns dos quais inéditos, desde reportagens fotográficas de comícios republicanos assinadas por Joshua Benoliel até filmes (provenientes do arquivo da Cinemateca Portuguesa e decerto muito pouco vistos até à data) sobre os funerais de D. Carlos e seu filho, Luís Filipe. Segue-se naturalmente a evocação da madrugada de 5 de Outubro, com os seus protagonistas e heróis anónimos, mas o que esta exposição propõe está longe de ser um panegírico da I República. Num país arcaico, rural, com índices de miséria proporcionais a elevadíssimas taxas de analfabetismo, o esforço de modernização era hercúleo e um clima de (novo) desencanto social não tardou a instalar-se.

    Como é mostrado ao visitante, reformas da maior importância como a Lei do Divórcio (promulgada logo a 3 de novembro de 1910, quando o novo regime ainda não completara um mês), a separação do Estado e da Igreja e a obrigatoriedade do Registo Civil (ambas em 1911) não impediram que, em breve, se instalasse um clima de mal estar, nomeadamente nos grandes centros urbanos e fabris. Como afirma Fernanda Rollo: «Embora a História não possa ser totalmente objetiva, não quisemos escamotear os aspetos menos conseguidos do regime. De facto, a I República nunca conseguiu estabelecer um diálogo aceitável com o operariado nem soube resolver os conflitos existentes no seio das suas elites. Essa crispação social agudizou-se nos anos que se seguiram à I Grande Guerra e, na verdade, não podemos ignorá-lo porque teve consequências profundas e foi um elemento estruturante da sociedade portuguesa."

    Desde a sua génese, o 5 de Outubro foi tudo menos uma revolução com cravos. Como podemos ver ao longo da exposição, às fotografias jubilatorias dos primeiros meses não tardam a seguir-se as que documentam cargas da recém-constituída Guarda Nacional Republicana sobre os grevistas, a mais pungente indigência que, em 1917, alimentará as filas para as sopas dos pobres e o mito autoritário de Sidónio Pais e os soldados que, a partir de 1916, marcham para a Flandres sem compreenderem as razões dos políticos de Lisboa. Máscaras de gás, crianças descalças, governos sucedendo-se a governos cada vez mais rápidos, as aparições de Fátima e o recrudescimento do catolicismo, a noite sangrenta que, a 19 de outubro de 1921, matou António Granjo, Carlos da Maia e Machado dos Santos e, finalmente, o 28 de maio de 1926, com a marcha de Gomes da Costa sobre Lisboa e o final de um sonho.

    Mas vemos também as imagens e ouvimos os sons da forte aposta da República na Educação e alfabetização de homens e mulheres, a popularização do desporto, com heróis trágicos como o maratonista Francisco Lázaro ou festivos como Cosme Damião, fundador do Sport Lisboa e Benfica, e grandes feitos, como a viagem aérea de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Podemos até ver alguns excertos dos primeiros filmes inteiramente feitos em Portugal, como Os Crimes de Diogo Alves, de Rino Lupo, ou Garden-Party no Estoril, em que uma senhora da alta sociedade desfila para a câmara toilettes à la garçonne.

    "A nossa ideia de abrangência implicou, sublinha Fernanda Rollo, conciliar os dados mais recentes obtidos pelos historiadores e uma apresentação que seja acessível a todos os públicos, incluindo as crianças.»

    Comemorar é, porém, muito mais do que uma evocação. Sendo esta exposição «um dos pontos altos do programa de comemorações», propõe-se, no final do percurso, uma reflexão sobre o que resta hoje do legado cívico e ético da I República. Para a historiadora, «o 5 de Outubro foi um momento de ímpeto e de crença otimista na superação das dificuldades coletivas da nação e levou a um projeto político empenhado em alicerçar a unidade nacional em torno da modernidade e dos valores liberais e democráticos. Houve, realmente, um propósito fundador que condicionou o país em que vivemos.»

    No final da exposição, depois de milhares e milhares de fotografias com milhares e milhares de rostos, as paredes tornam-se brancas e apenas são dadas a ver (também em branco) algumas palavras: Socialização, Homem Novo, Revolução, Pátria, Democracia, Humanidade, Igualdade, Democracia. Quem ousa dizer que já passaram à História?

    28-07-2010 

  • 28.07.2010
    Jornal Público
    I República - Viajantes e Turistas

    Os casinos, os hotéis elegantes, as praias e os monumentos que transformaram Portugal num destino turístico em voga nas primeiras décadas do século XX podem ser revisitados na exposição Viajar, no Terreiro do Paço.

    Viajar 1

    A nova era portuguesa inaugurada com o advento da República, em 1910, traduziu-se também numa nova ordem do lazer. As praias da Figueira da Foz, Maçãs, Nazaré, Santa Cruz e Lagos e as termas das Pedras Salgadas, Vidago, Curia, Entre-os-Rios deixaram de ser apenas lugares de tratamento para maleitas várias e converteram-se em sítios de lazer, recreio e repouso.

    Determinados os períodos de férias nas escolas e tribunais (1910) e fundada a Repartição de Turismo (1911), o novo regime primou por construir a imagem de um Portugal turístico, rivalizando directamente com os mais prestigiados destinos dos turistas europeus. Por isso, nas décadas de 1910 e 1920 emergiu a propaganda colorida que anunciava Vidago como "a Vichy portuguesa", enquanto o Estoril competia com a Riviera e as águas do Seixoso comparavam-se à Evian.

    A rede ferroviária que quase atravessava o país e a abertura dos portos para os paquetes a vapor oriundos de distantes paragens europeias permitiram transformar o território nacional num espaço com uma oferta muito diversificada - quem procurava animação, património, repouso, ócio ou lazer tinha muito por onde escolher, lia-se nos guias e manuais para viajantes.

    Uma mostra desse Portugal cosmopolita pode ser observada na exposição Viajar - Viajantes e Turistas à descoberta de Portugal no Tempo da I República, patente no Torreão Nascente do Terreiro do Paço até 6 de Outubro (aberta das 10h às 18h, com entrada gratuita). Organizada por Maria Alexandra Lousada e Ana Paula Pires no âmbito das comemorações dos 100 anos da República, a exposição é composta sobretudo por reproduções de fotografias, postais, gravuras e cartazes que revisitam desde os mais elegantes hotéis das primeiras décadas do século XX aos roteiros históricos, passando pelos desportos náuticos e pelos bailes nos casinos. Mas estão também expostos objectos de viajantes famosos - as malas de cabine de Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro e a cartola de Ribeirinho -e, ininterruptamente, são projectados filmes (da Cinemateca Portuguesa) que evocam lugares e momentos emblemáticos desse Portugal que despertava para o turismo. Maria José Oliveira

    28-07-2010

  • 26.07.2010
    Turisver
    Turismo do século passado no Terreiro do Paço

    O Torreão Nascente do Terreiro do Paço, em Lisboa, tem patente desde ontem a exposição “Viajar, viajantes e turistas à descoberta de Portugal no tempo da I República”. Até 6 de Outubro, com entrada livre.

     Esta é uma exposição que dá a oportunidade de conhecer mais sobre os hábitos turísticos de quem fazia turismo há cem anos atrás, no tempo da implantação da República em Portugal. Que destinos escolhiam os que podiam fazer turismo? Seriam assim tão poucos? Que roupas vestiam, que artigos levavam na bagagem? Que meios de transporte usavam, e que roteiros consultavam? Estas e outras questões são respondidas numa exposição promovida pela Comissão Nacional para a Comemorações do Centenário da República e apoiada pelo Turismo de Portugal.

    Maria Alexandre Lousada e Ana Paula Pires são as comissárias da exposição, que está organizada em cinco núcleos: Viajar; Os lugares de Turismo; Férias em Portugal; À descoberta de Portugal; e O Turismo e a República.
    N.A.

    http://www.turisver.com/article.php?id=49041

    24-07-2010

     

  • 26.07.2010
    Jornal de Notícias
    Corpo. Estado, Medicina e Sociedade

    25_07_10_corpo
    0 corpo social sob o olhar clínico da República

    Exposição no Terreiro do Paço mostra algumas das principais medidas tomadas na área da saúde

    FÁTIMA MARIANO
    fmariano@jn.pt

    São sete corpos. Sete modelos que representam as fases da vida e morte do corpo humano e da atenção que os vários governos da I República dedicaram à área da saúde e dos cuidados médicos. Três estão em pé e representam uma criança, uma mulher grávida e um jovem atleta; e três estão deitados, retratando um corpo doente no momento da consulta, o corpo de uma vítima de epidemia e um corpo morto, transformado em objecto médico.

    "Há ainda um sétimo corpo", adianta Rita Garnel, comissária da exposição "Corpo. Estado, Medicina e Sociedade no Tempo da I República", que inaugurou na sex-ta-feira no Torreão Poente do Terreiro do Paço, em Lisboa.

    "No último corpo, são projectadas imagens de tatuagens que os técnicos do Instituto de Medicina Legal encontravam nos cadáveres, considerava-se que quem tatuasse o corpo tinha uma personalidade desviante", explica.

    Esta é uma exposição que fala dos médicos como corpo profissional, que recorda alguns dos mais eminentes médicos portugueses da época (Miguel Bombarda, Curry Cabral Egas Moniz), que mostra as técnicas, os instrumen- tos (como o esmagador de Chas-saignac, utilizado para retirar tumores ou um modelo anatómico da cabeça datado do século XIX), e as terapêuticas.

    Fala ainda de algumas das medidas legislativas (de criação das faculdades de medicina de Lisboa e Porto ou da obrigatoriedade da vacinação) e dos investimentos (para abertura, por exemplo, de Lactários e Dispensários materno-infantis).

    Muitos dos avanços médicos alcançados nas últimas décadas (como a baixa taxa de mortalidade infantil) resultam das políticas e práticas médicas lançadas nesse início do século XX. Esta é uma Vacinação obrigatória foi fortemente criticada por ser uma intromissão na vida privada do cidadão mensagens que Rita Garnel gostaria que passasse aos visitantes. "A medicina não era apenas o tratar do corpo individual, mas também do corpo social", explica.

    Os médicos aplicaram ao corpo social o olhar clínico, normalizando e ajudando a normativar, em nome da saúde indivual e colectiva, escolhas, comportamento, atitudes e gestos. Os que fugiam a essa norma - prostitutas, delinquentes, mutilados de guerra, loucos, etc. - eram afastados da sociedade, quer como sinal de exclusão quer de protecção.

    Foram os governos republicanos que decretaram a obrigatoriedade da vacinação, não muito bem acolhida por alguns sectores, que consideravam uma intromissão na vida privada dos cidadãos. "Fala-se muito na pneumónica, mas é preciso não esquecer que nessa altura, a varíola e o tifo também matavam muito", lembra.

    Muitas das medidas legislativas foram possíveis devido à importância e prestígio que a classe médica tinha nessa época sendo o segundo grupo profissional mais representado no Parlamento.

    25-07-2010

  • 26.07.2010
    Diário Digital
    Exposição «Viajar» inaugurada hoje no Terreiro do Paço

    A exposição «Viajar, viajantes e turistas à descoberta de Portugal no tempo da I República» é inaugurada esta sexta-feira, às 18:00 horas, no Torreão Nascente do Terreiro do Paço, em Lisboa, debruçando-se sobre o modo como se fazia Turismo em Portugal durante esta época.

    A mostra, comissariada por Maria Alexandre Lousada e Ana Paula Pires, está organizada em cinco núcleos, a saber, «Viajar»; «Os lugares de Turismo»; «Férias em Portugal»; «À descoberta de Portugal» e «O Turismo e a República», segundo a organização.

    Os trabalhos dão a conhecer como «na altura da 1.ª República (do ano 850 a 1920) já havia um número considerável de pessoas que faziam turismo, iam às praias e às termas nacionais não só por motivos de saúde, mas também pelo prazer de viajar e de visitar locais de interesse patrimonial».

    Mais de 300 peças estarão em exibição na exposição, que é organizada pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, com o apoio do Turismo de Portugal.

    O público poderá visitar até 6 de Outubro. A entrada é gratuita.

    23-07-10

     

  • 26.07.2010
    Jornal de Notícias
    À procura do Portugal dos postais turísticos

     

    Viajar. Viajantes e Turistas à Descoberta de Portugal no Tempo da Primeira República

     

    Viajar 1

     

    A frase de João Chagas expressa bem o quanto os portugueses, nesse início do século XX, ignoravam as belezas do seu próprio país: "Esta carta está decidida desde Setembro! Mas durante esse mês de férias praticámos uma façanha milagrosa: descobrimos Portugal. Foi uma verdadeira viagem de núpcias com a pátria! Caramba! Que maravilhoso País! Como a gente passa a vida ignorando a beleza da própria pátria!"

    Conhecer o Portugal dos postais turísticos e das fotografias a preto e branco dessas primeiras décadas do século XX é o desafio que lança a exposição "Viajar. Viajantes e Turistas à Descoberta de Portugal no Tempo da Primeira República", ontem inaugurada no Torreão Nascente do Terreiro do Paço, em Lisboa, e que pode ser vista até 6 de Outubro. Organizada pela Comissão para as Comemorações do Centenário da República, em parceria com o Turismo de Portugal, a exposição tem como objectivo "mostrar aos visitantes a grande mudança que se deu, na área do turismo, com a chegada da República", explicou, ao JN, Ana Paula Pires, que, juntamente com Maria Alexandre Lousado, comissária esta mostra. "Assiste-se à institucionalização do turismo, à intervenção do Estado neste sector. A República reconhece a importância do turismo e o contributo deste para a economia. É preciso não esquecer, por exemplo, que é nesta altura que se começam a classificar os monumentos", acrescentou a mesma responsável. O convite para a viagem é feito ainda no exterior da exposição, através de duas malas de cartão gigantes - com bilhetes, passaportes, etiquetas de bagagem, etc, colados - e que indicam o local por onde o visitante deve embarcar.

    Portugal era apresentado nos cartazes turísticos como o caminho mais curto entre EUA e Europa

    Os elementos cénicos e multimédia marcam presença em toda a exposição, através da recriação de uma esplanada de época, do paquete "Cleveland" e dos seus passageiros à chegada a Lisboa ou de um banhista a saltar de uma prancha para a piscina. Nos vários ecrãs serão exibidos filmes de época, alguns dos quais inéditos, pertencentes ao arquivo da Cinemateca Portuguesa. A aposta no turismo impulsi-nou o lançamento de vários guias sobre o país no seu conjunto ou locais particulares, com mapas da rede de transporte público e dos monumentos a visitar, e de manuais do viajante. Começam a surgir as primeiras empresas que organizam viagens turísticas (muitas delas, aproveitando os meios e percursos utilizados para o transporte de emigrantes), as primeiras casas para arrendar à época totalmente mobiladas e hotéis com oferta de actividades desportivas, por exemplo. A maioria dos turistas vinha de Inglaterra, Itália e Alemanha, mas também dos EUA. Portugal era apresentado, nos cartazes turísticos, "como o caminho mais curto entre a América e a Europa".

    O desempenho da Sociedade de Propaganda de Portugal

    Parte significativa do trabalho de promoção do país enquanto destino turístico foi realizada pela Sociedade de Propaganda de Portugal (também conhecida porTouring Club de Portugal), fundada a 28 de Fevereiro de 1906. Instituição privada e independente, alertou sucessivas vezes o Poder Central e Local para as péssimas condições das estradas e ferrovias e das unidades hoteleiras e para a necessidade de melhorar as condições de acolhimento aos visi- tantes nos núcleos urbanos mais procurados. "No início da República, as infra-estruturas e os serviços associados ao turismo eram precários, geralmente de má qualidade pouco organizados", explica Ana Paula Pires. Ao mesmo tempo, promoveu as potencialidades turísticas do país. Em 1911, conseguiu a realização, em Lisboa, do IV Congresso Internacional de Turismo, que contou com 1500 participantes. Promoveu, também, a visita de um grupo de jornalistas estrangeiros a alguns dos principais locais turísticos portugueses, apostou fortemente na publicidade, incluindo em revistas internacionais, e na abertura de delegações um pouco por todo o Mundo.

    24-07-10

  • 26.07.2010
    Diário de Notícias
    À descoberta das origens do turismo

    Exposição: Os roteiros e os objectos utilizados nas primeiras viagens de lazer em Portugal há cem anos

     

    25_jul_10

    MARINA MARQUES
    Duas malas gigantes nas arcadas junto ao Torreão Nascente do Terreiro do Paço, em Lisboa, dão o mote para a exposição "Viajar. Viajantes e turistas à descoberta de Portugal no tempo da I República", que propõe um regresso aos primórdios do turismo em Portugal. Promovida pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, com o apoio do Turismo de Portugal, a exposição evidencia as diferenças das primeiras viagens de lazer, há cem anos, em relação à actualidade.

    Duas colecções privadas, uma de Celestino de Matos Domingues, e outra de José Rafael Sirgado, enriqueceram a exposição com objectos, folhetos, cartazes, bilhetes, facturas, que documentam esse tempo. É o caso de duas malas de cabine que pertenceram à actriz Amélia Rey Colaço e ao marido, Robles Monteiro.

    No primeiro dos cinco núcleos em que se divide a exposição (Viajar), grandes lombadas dos primeiros guias turísticos da época, em vários idiomas, remetem para a preparação da viagem, enquanto uma caricatura mostra uma das maiores dificuldades na época pelos turistas: o péssimo estado das estradas em Portugal.

    Madeira como destino internacional e Açores como oferta para viajantes em missão científica são apenas dois dos destaque do 2.° espaço (Lugares de Turismo), onde é lembrado que entre 1921 e 1923 são oficialmente identificados e classificados 135 lugares turísticos. E um comboio em miniatura conduz o viajante, ao mesmo tempo que lembra que a aposta na rede ferroviária foi um dos facilita- dores do desenvolvimento das viagens de lazer. A situação geográfica de Portugal, porto de entrada de grandes paquetes transatlânticos, é destacada pela réplica de um paquete.

    Os modos de viajar e a arte de ser turista surgem no 3.° núcleo (Férias em Portugal). O emblemático Guia de Portugal, de Raul Proença, e o trabalho da Sociedade Propaganda de Portugal na promoção do País como destino turístico, tanto em Portugal como no estrangeiro, formam o 4.° espaço (Descobrir Portugal). A terminar, um núcleo mais institucional, dedicado à Sociedade Propaganda de Portugal, fundada em 1906, e à Repartição do Turismo, criada em 1911, símbolos do nascimento do turismo organizado em Portugal.

    25-07-2010

  • 26.07.2010
    Diário de Notícias
    Dois ministros numa exposição da República

    Exposição

    Corpo 1

    O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, visitou ontem, acompanhado por Artur Santos Silva e pela ministra da Saúde, Ana Jorge, a exposição "CORPO: Estado, Medicina e Sociedade no tempo da I República", promovida pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
    Segundo a própria Comissão, "a exposição pretende dar conta da história da medicina em Portugal, da consolidação do poder e do prestígio dos médicos, bem como das relações entre este saber, o poder político e os diversos grupos sociais".
    Assim sendo, a visita promete ensinamentos à ministra, em tempos de austeridade e cortes orçamentais. Mas também terá sido de utilidade para a médica Ana Jorge, pediatra de profissão, já que "problematiza as relações do médico com o doente e com o corpo humano, individual ou social, e questiona o saber científico da medicina e dos médicos no tempo da I República.

    24-07-10

  • 25.07.2010
    http://www.turismodeportugal.pt/
    Exposição "Viajar. Viajantes e Turistas à Descoberta de Portugal no tempo da I República"

    Esta Exposição, realizada no âmbito das Comemorações do Centenário da República, conta com a parceria e o apoio financeiro do Turismo de Portugal.

    noticia viajar

    O ano de 1911 representa um momento fundamental na emergência do Turismo organizado em Portugal. Nesse ano, Lisboa recebeu o IV Congresso Internacional de Turismo e foram criadas as primeiras estruturas oficiais: a Repartição de Turismo e o Conselho de Turismo.

    A promoção da actividade turística dá, neste período, os seus primeiros passos, ressaltando a missão educativa e de bem-estar físico desta actividade, presente nos guias, folhetos e cartazes que construíram o embrião do destino Portugal e da sua inserção no mercado turístico em formação. Viajar por prazer, para conhecer outros lugares e costumes, como distracção ou forma de repouso, tinha-se tornado um desejo acessível a mais pessoas.

    Esta exposição é um duplo convite à viagem: viajar no tempo e no espaço. Reviver “as férias dos primeiros turistas, os destinos que estavam na moda, as roupas e objectos que se punham na mala de viagem, os desportos que se praticavam, os roteiros turísticos que se consultavam” é o convite que a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e o Turismo de Portugal nos propõem.

    A Exposição, que decorre de 23 de Julho a 6 de Outubro no Torreão Nascente do Terreiro do Paço, está organizada em 5 núcleos: 1. Turistas - O prazer e a arte de viajar; 2. A República e o Turismo; 3. Turismo e identidade nacional: uma nova imagem para portgal; 4. Os lugares turísticos e os projectos da República; 5. Férias em Portugal.

    Boa viagem!

    URL: ver aqui

    23-07-2010

     

  • 25.07.2010
    http://diariodigital.sapo.pt
    Exposição «Viajar» inaugurada hoje no Terreiro do Paço

    A exposição «Viajar, viajantes e turistas à descoberta de Portugal no tempo da I República» é inaugurada esta sexta-feira, às 18:00 horas, no Torreão Nascente do Terreiro do Paço, em Lisboa, debruçando-se sobre o modo como se fazia Turismo em Portugal durante esta época.

    A mostra, comissariada por Maria Alexandre Lousada e Ana Paula Pires, está organizada em cinco núcleos, a saber, «Viajar»; «Os lugares de Turismo»; «Férias em Portugal»; «À descoberta de Portugal» e «O Turismo e a República», segundo a organização.
    Os trabalhos dão a conhecer como «na altura da 1.ª República já havia um número considerável de pessoas que faziam turismo, iam às praias e às termas nacionais não só por motivos de saúde, mas também pelo prazer de viajar e de visitar locais de interesse patrimonial».

    Mais de 300 peças estarão em exibição na exposição, que é organizada pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, com o apoio do Turismo de Portugal.
    O público poderá visitar até 6 de Outubro. A entrada é gratuita.

    sexta-feira, 23 de Julho de 2010 | 16:01