Manuel José de Arriaga Brum da Silveira

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira nasceu a 8 de Julho de 1840 na cidade da Horta, Ilha do Faial, nos Açores. Pertencia a uma família da aristocracia açoriana. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e foi professor de Inglês do Ensino Liceal. Em 1876 fez parte da Comissão de Reforma da Instrução Secundária.

Filiado no Partido Republicano Português, pertencia ao Directório quando rebentou a revolta de 31 de Janeiro de 1891, mas não foi incomodado pelas autoridades. Nesse mesmo ano candidatou-se a deputado pela Madeira tendo sido eleito.

Passados alguns anos voltou a assumir funções parlamentares, distinguindo-se na luta contra as instituições monárquicas e contra a corrupção. Entretanto participou activamente em comícios que se realizavam em Lisboa e os seus discursos inflamados contribuíam para aumentar o número de adeptos à causa republicana.

Depois do 5 de Outubro foi deputado às Constituintes e, no dia 24 de Agosto de 1911, tomou posse do cargo de Presidente da República. O seu mandato foi muito agitado e cheio de dificuldades porque os diferentes partidos republicanos que então se formaram não se conseguiam entender. Além disso, instalou-se um clima de grande agitação social tendo havido também tentativas de reposição da monarquia. Greves, tumultos, insegurança levaram a sucessivas quedas do governo.

Só entre 1911 e 1914 tomaram posse oito governos. Em Janeiro de 1915, Manuel de Arriaga dissolveu o parlamento e consentiu que se instalasse a ditadura de Pimenta de Castro. As reacções não se fizeram esperar. Os opositores reuniram-se, o Presidente da República foi declarado fora da lei e, logo em Maio, rebentou uma revolução que repôs a ordem democrática e o forçou a demitir-se. Ao abandonar a presidência, Manuel de Arriaga dedicou-se à redacção das suas memórias. Em tempos já tinha publicado outros livros, entre eles estão Contos Sagrados, Irradiações e Harmonia Social, mais tarde, em 1916, publicou um livro em que procura justificar a sua conduta política, a que deu o título Um Rápido Relatório e às suas memórias deu o nome Na Primeira Presidência da República Portuguesa.

Morreu em Lisboa a 5 de Março de 1917.

Autoria: Plano Nacional de Leitura