Manuel de Brito Camacho

Manuel de Brito Camacho nasceu em Aljustrel no dia 12 de Fevereiro de 1862. Depois dos estudos primários frequentou o liceu de Beja que terminou em 1880. Partiu para Lisboa ficando à guarda de um tio. Em 1884 concluiu o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Ingressou no Exército Português como cirurgião-ajudante, Em 1891 e começou uma carreira como médico militar que o levaria a Coronel.

Brito Camacho entrou na política em 1893 quando se candidatou a deputado pelo círculo eleitoral de Beja nas listas republicanas, mas nunca tomou posse porque escreveu um artigo contra as instituições monárquicas no periódico Nove de Junho, de Beja, tendo sido suspenso por um ano e depois transferido para os Açores, como penalização. Regressou ao continente em 1894 e em Abril fundou O Intransigente, um jornal de crítica política e propaganda republicana. Em 1902 abandonou a medicina e dedicou-se exclusivamente ao jornalismo e à política. Fundou o periódico A Lucta, que iniciou publicação no dia 1 de Janeiro de 1906, convertendo-se no mais influente jornal republicano e no órgão oficioso do Partido Unionista de que Brito Camacho foi fundador e líder.

Nas eleições realizadas depois do regicídio foi eleito deputado pelos republicanos e teve um papel muito importante na preparação do 5 de Outubro de 1910 sendo o elo de ligação entre republicanos e militares, dada a sua ligação ao exército.

A 23 de Novembro de 1910 foi nomeado Ministro do Fomento do Governo Provisório. Em 1912 reassumiu o cargo de director de A Lucta e foi um dos protagonistas da cisão do Partido Republicano Português liderando a facção mais à direita do novo Partido da União Republicana.

Passou a desenvolver uma intensa acção jornalística e política assumindo-se como o principal opositor dos sucessivos governos formados pelo Partido Democrático. Em 1918, depois da eleição de António José de Almeida para a Presidência da Republica, afastou-se da actividade política, abandonou os cargos de liderança partidária e em 1920 recusou o convite para formar um governo apoiado pelo Partido Liberal Republicano.

Entre Março de 1921 e Setembro de 1923 exerceu as funções de Alto-Comissário da República em Moçambique. Depois da revolução de 28 de Maio de 1926 abandonou definitivamente a actividade política, retirando-se para a vida privada.

Morreu em Lisboa no dia 19 de Setembro de 1934.

Para além de uma vasta obra jornalística e de comentário político, Brito Camacho é autor das seguintes obras: Impressões de Viagem, 1902. Contos e sátiras, 1920. A Caminho d'Africa, 1923. Os amores de Latino Coelho, 1923. Quadros alentejanos, 1925. Moçambique, Problemas Coloniais, 1926. Jornadas, 1927. D. Carlos, intimo, 1927. Gente rústica, 1927. Gente Vária, 1928. Cenas da Vida, 1929. De bom humor, 1930. Gente bóer, 1930. Por cerros e vales, 1931. A Linda Emília, 1932. Matéria vaga, 1934. Política Colonial, 1936. Rescaldo da guerra, 1936. Questões nacionais, 1937.

Autoria: Plano Nacional de Leitura