Joaquim Fernandes Teófilo Braga

Joaquim Fernandes Teófilo Braga nasceu em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, nos Açores, a 24 de Fevereiro de 1843. Pertencia a uma família da aristocracia açoriana, mas a morte da mãe deixou-o numa situação de grandes dificuldades económicas. Começou, então, a trabalhar bastante cedo como tipógrafo. Mais tarde, com uma pequena mesada que o pai lhe atribuiu e com trabalhos de tradutor, explicações e alguns artigos e poemas que escrevia, conseguiu tirar o Curso de Direito na Universidade de Coimbra onde foi contemporâneo do poeta Antero de Quental.

Doutorou-se em 1868, e publicou estudos sobre literatura como a História da Poesia Popular Portuguesa, o Romanceiro Geral. Em 1872 tornou-se catedrático de Literaturas Modernas. Dedicou-se vários anos ao estudo da doutrina de Comte, tornou-se defensor do Positivismo e publicou vários ensaios e artigos em que desenvolveu as suas teses. Dirigiu também as revistas Positivismo, com Júlio de Matos, e Era Nova, com Teixeira Bastos.

A par da actividade de professor e investigador, tornou-se um destacado militante do Partido Republicano Português. Participou na organização do Tricentenário de Camões em 1880, que foi afinal a primeira grande manifestação pública de republicanismo. No mesmo ano, publicou a História das Ideias Republicanas em Portugal. As suas obras e a sua acção política tornaram-no alvo de perseguições, mas apesar disso manteve-se sempre firme na defesa dos seus ideais.

Ainda durante a monarquia assumiu os cargos de Vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de membro do Directório do Partido Republicano Português (PRP), de que era presidente quando se deu a revolução do 5 de Outubro.

Muito respeitado no País e no estrangeiro, foi escolhido para chefe do Governo Provisório com funções de Presidente da República. Foi o seu governo que adoptou a Bandeira Nacional (29 de Novembro de 1910) e A Portuguesa como hino nacional. Após a aprovação da Constituição foi deputado e, a 14 de Maio de 1915 foi eleito Presidente da República. Assumiu as funções de Chefe de Estado de forma simples e despretensiosa, retomando as suas actividades de investigador quando concluiu o mandato.

A sua obra constitui uma verdadeira enciclopédia da História da Literatura Portuguesa: pois deixou 360 trabalhos publicados.
Morreu em Lisboa com 80 anos, em 1923.

Autoria: Plano Nacional de Leitura

Biografia completa dos presidentes da I República em: http://www.museu.presidencia.pt/presidentes.php