Henrique Lopes de Mendonça

Henrique Lopes de Mendonça nasceu em Lisboa no dia 12 de Fevereiro de 1856. Ingressou na Armada Portuguesa como Aspirante da Marinha em 27 de Outubro de 1871 tendo chegado a Capitão de Mar-e-Guerra. Durante a sua carreira embarcou em diversos navios e aproveitou as paragens em portos estrangeiros para se inspirar e satisfazer alguns anseios artísticos e culturais.

Foi professor da escola Prática de Artilharia Naval, então instalada a bordo da Fragata D. Fernando II e Glória.

Como escritor e dramaturgo, Lopes de Mendonça iniciou a sua carreira em 1884 com a peça A Noiva. A sua obra seguinte, a peça A Morta, foi galardoada com o prémio D. Luís I da Academia de Ciências de Lisboa.

Em Agosto de 1889 escreveu uma obra em que historiou metodicamente os feitos da Armada Portuguesa nos séculos XV e XVI à qual deu o título de Estudos sobre Navios Portugueses dos séculos XV e XVI.

Por ocasião do Ultimato Inglês de 1890, escreveu para a música de Alfredo Keil, a marcha A Portuguesa que, em 1910 o Governo da República adoptou como Hino Nacional, trocando no verso a palavra bretões por canhões.

Entre 1897 e 1901 foi Bibliotecário da Escola Naval, e professor da cadeira de História da Escola de Belas-Artes de Lisboa. Em 1900 foi eleito membro efectivo da Academia das Ciências de Lisboa de que veio a ser presidente em 1915. Fez parte da comissão nomeada pelo Governo para, em 1916, propor as versões definitivas e oficias para piano, canto, orquestra e banda do Hino Nacional. Em 1925 integrou o grupo de fundadores da Sociedade Portuguesa de Autores.

Lopes de Mendonça também fez parte da Academia Brasileira de Letras desde 1923, tornou-se sócio do Instituto de Coimbra, membro Honorário do Clube de Londres, vogal do Conselho de Arte Dramática e membro das Comissões Oficiais dos Centenários de Colombo e de Vasco da Gama.

Deixou quase uma centena de obras literárias de vários géneros, peças de teatro, poesias, romances e estudos históricos. Entre elas: O Padre Fernando Oliveira E A Sua Obra Náutica. Memórias Académicas. Estudos Sobre Navios Portugueses Nos Séculos XV E XVI. Os Órfãos De Calecut. Terra De Santa Cruz. Cenas Da Vida Heróica. A Noiva (1884). O Duque de Viseu (1886). A Morta (1890). Afonso De Albuquerque (1898). Amor Louco (1899). O Salto Mortal. Nó Cego (1905). O Azebre (1909). Auto das Tágides (1911). A Herança. Saudade e o Crime de Arronches (1924).

Henrique Lopes de Mendonça morreu no dia 24 de Agosto de 1931.

Autoria: Plano Nacional de Leitura