Xaropada
No início do século XX grande parte da população portuguesa não tinha acesso a cuidados médicos por viver longe das cidades onde havia hospitais. As doenças tratavam-se em casa com xaropes, chás e pomadas caseiras. Mas mesmo os que podiam recorrer aos hospitais não encontravam solução para muitos dos seus males, pois a medicina da época estava ainda muito atrasada.
Brito Camacho, que pertenceu ao grupo responsável pelo 5 de Outubro e fez uma carreira política brilhante, distinguiu-se desde cedo como jornalista e utilizou o seu talento para divulgar os ideais republicanos. Mas também cursou medicina e deixou testemunhos elucidativos sobre os professores e as práticas da Escola Médica num livro a que deu o título Gente Vária: “Calhou ir para a enfermaria do Doutor Pitta um francês que esteve internado perto de um mês.
Durante todo esse tempo só lhe foi ministrado um único medicamento, que tomava aos copos de meio litro. Um dia, sentindo-se o francês livre de incómodos, pediu alta. Receando tornar a adoecer com a mesma doença, perguntou ao doutor que remédio santo era aquele que o tinha curado. A resposta foi “Capilé”.
“Por aquele tempo, nos estabelecimentos de ensino médico em Portugal, não se falava de neurologia nem de psiquiatria; o Dr. Pitta, professor de patologia interna, classificava os alienados (doentes mentais) em três grupos – maduros, matutos e telhudos, e de certo modo esta classificação resumia o saber oficial na matéria”.
Autoria: Plano Nacional de Leitura

