Medicamentos
Quando a Bayer fabricou os primeiros comprimidos de aspirina, a República Portuguesa tinha cinco anos.
Há muito se conhecia o poder da casca de salgueiro no alívio das dores, mas durante séculos triturou-se para obter um produto que se aliviava as dores, irritava o estômago. No Século XIX o farmacêutico francês Henry Leroux e o químico alsaciano Frederich von Gerhardt obtiveram o mesmo produto de outras plantas, a ulmária, a rainha-dos-prados. Conseguiram um pó muito eficaz contra as dores e contra as inflamações, mas pouco depois esse medicamento foi posto de parte e ficou esquecido.
Em 1893 o químico alemão Felix Hoffman, que procurava desesperadamente um remédio para o seu velho pai que sofria de artrite grave, decidiu experimentar o produto que caíra no esquecimento. Os resultados foram encorajadores e a Bayer começou a produzir grandes quantidades daquele pó a que deu o nome latino de spiraea ulmaria, por ser extraído da ulmária. Do nome latino derivou a palavra aspirina.
Em 1899 este novo analgésico foi finalmente posto à venda. Revelou-se um medicamento de tal forma extraordinário, que o público lhe chamava “pó mágico”.
Em 1915, com a Europa atormentada pela Primeira Guerra Mundial, era complicado fornecer aspirina em pó. Para facilitar a distribuição, a Bayer passou a fabricar comprimidos.
Oferta da natureza, trabalhada por cientistas, recuperada graças ao empenho resultante do amor filial, adaptada às necessidades do público na sequência de uma guerra, aí estava a aspirina, mais uma novidade que chegou do estrangeiro durante a Primeira República.
Em 1918, a patente, que pertencia à Alemanha, foi considerada despojo de guerra e passou para as mãos dos países aliados. E em 1921, por se tratar de um medicamento excelente, foi classificado Património da Humanidade.
Autoria: Plano Nacional de Leitura

