Gripe espanhola, a pneumónica

Na Primavera do ano de 1918, um surto de gripe mortífera varreu Portugal. Esta gripe, chamada pneumónica ou gripe espanhola por se ter declarado em Espanha, agravou os problemas com que o país se debatia e atormentou os médicos que não dispunham de medicamentos realmente eficazes nem contra esta doença, nem contra o tifo que há meses se espalhara sobretudo pelo norte e já fizera milhares de vítimas na cidade do Porto.

Os bairros pobres das cidades, onde viviam muitas famílias mal alojadas, mal alimentadas, sem condições de higiene, foram os mais atingidos pela pneumónica. Nos meses de Junho e Julho morreram em Lisboa cerca de 400 pessoas por dia, número tão elevado que tornou difícil a realização dos enterros por falta de carretas funerárias.

O Governo tomou algumas medidas para enfrentar a epidemia, ordenou que se improvisassem hospitais, criou comissões de socorro para emergências, apoiou os médicos na sua luta incessante contra a morte. E o Presidente da República, que era então Sidónio Pais, entendeu por bem visitar os doentes e deixar-se fotografar debruçado sobre as camas dos mais atacados, o que muito contribuiu para a sua popularidade.

A pneumónica só começou a abrandar em Novembro, sem que ninguém soubesse explicar porquê. A ciência da época ainda não dava respostas concretas sobre estes assuntos.

No território português, o saldo final foi de 60000 mortos. Por isso, durante muitos anos, a palavra “pneumónica” causava arrepios não só aos sobreviventes, mas também aos filhos e netos que tinham ouvido relatos impressionantes sobre a maldita gripe.

Autoria: Plano Nacional de Leitura