Na época da Primeira República estava na moda o uso de chapéus para homens, mulheres e crianças e havia modelos diferentes para as várias ocasiões. Nas festas ou cerimónias de alguma importância, os homens usavam cartola. Os ingleses tinham por hábito cobrir a cabeça com chapéu de copa arredondada, o chapéu de coco, e não faltava quem gostasse de os imitar. Para o dia-a-dia, os modelos eram mais simples mas ninguém saía à rua sem chapéu. Os homens do povo, mesmo os mais pobres, que podiam eventualmente andar descalços, não dispensavam o seu boné.

Tirar o chapéu era uma maneira delicada de cumprimentar as pessoas que passavam ou de prestar homenagem – por exemplo ao santo que seguia no seu andor em procissão ou ao morto levado de carro de cavalos para o cemitério.

Quanto às senhoras, os modelos multiplicavam-se não só de acordo com as circunstâncias – festa de casamento, passeio, almoço ao ar livre, missa, procissão, enterro, e por aí fora – como de acordo com os gostos pessoais. Em todas as cidades havia modistas de chapéus aptas a confeccionar chapelões enormes ou chapelinhos minúsculos nos mais variados tipos de materiais e enfeitados com plumas, flores e outros adornos. As senhoras não tiravam o chapéu senão em casa. As meninas também usavam chapéu, geralmente em harmonia com as roupas que vestiam. A mesma cor, o mesmo tecido, fitas e laços a condizer. Para os rapazes, enquanto pequenos, era comum escolherem-se bonés de marinheiro. Na adolescência outro tipo de bonés.

Naquele tempo, quem escolhia a profissão de chapeleiro, tinha trabalho garantido.

Autoria: Plano Nacional de Leitura