No início do século XX havia muitos teatros em Lisboa, que ofereciam vários tipos de espectáculos. O Teatro de S. Carlos, frequentado sobretudo por pelas elites, era (e ainda hoje é) o teatro da ópera, dos concertos, do ballet.

Em 1917 vieram a Lisboa os Ballets Russes, companhia dirigida pelo famoso Diaghilev que revolucionara a dança clássica com coreografias, cenários, bailados muito inovadores.

Os Ballets Russes tinham feito grande sucesso em toda a parte. Em Espanha, o próprio rei, encantado, decidiu financiar esta companhia que atravessava momentos difíceis devido à Primeira Guerra Mundial. Mas em Lisboa as reacções foram diferentes. Os Ballets Russes deram dois espectáculos no Teatro de S. Carlos e oito no Coliseu, onde os bilhetes eram mais acessíveis. O público olhou as novidades com desconfiança e a crítica foi muito desfavorável. O bailado Sol da Meia-noite mereceu a um crítico o seguinte comentário: “fantasia de manicómio indiscutivelmente caricatural”.

É engraçado saber que o responsável pela coreografia de Sol da Meia-noite, Léonide Massine, um dos mais importantes do seu tempo, ficou na história como uma referência da dança clássica moderna.

Autoria: Plano Nacional de Leitura