Ciclismo
A ideia de circular instalado sobre um engenho com duas rodas é muito antiga. No obelisco de Luxor, que os franceses levaram do Egipto para Paris, figura entre os hieróglifos um homem sentado numa barra horizontal que tem duas rodas. Mas a invenção da bicicleta é muito posterior. Em 1779, no Journal de Paris há uma descrição minuciosa de um veículo de duas rodas a que se deu o nome de velocípede.
Em meados do século XIX, um operário francês chamado Lallement atreveu-se a circular pelas ruas de Paris montado numa “máquina de duas rodas”. Toda a gente ficou horrorizada, as crianças atiraram-lhe pedras, a polícia acabou por detê-lo e prendeu-o acusando-o de escândalo na via pública. Mas a pouco e pouco, a “máquina louca” foi sendo aperfeiçoada por indivíduos de vários países que lhe acrescentaram ou melhoraram o guiador, os pedais, as rodas.
Em 1885, o inglês John Starley Kemp fabricou a bicicleta Rover, com duas rodas do mesmo tamanho, o que a tornava mais rápida, mais cómoda, mais fácil de conduzir. Em 1888, a invenção do pneu proporcionou à bicicleta o elemento que lhe faltava para passar de “máquina louca” a “máquina esplêndida para circular”. E o sucesso foi tal, que em 1896 os organizadores dos primeiros jogos olímpicos da era moderna incluíram o ciclismo nos desportos olímpicos.
A República Portuguesa foi implantada 14 anos depois. Nessa época já havia bicicletas em Portugal, mas sendo muito caras, só estavam ao alcance de famílias abastadas e eram encaradas mais como brinquedo de gente rica do que como meio de transporte. Havia no entanto velódromos – pistas para fazer corridas de bicicleta – um em Algés e outro no Jardim Zoológico. E surgiam ocasionalmente anúncios nos jornais a enaltecer o ciclismo como fonte de saúde e a oferecer professores parar ensinarem homens, mulheres e crianças a andar de bicicleta em locais discretos para que ninguém assistisse aos tombos das primeiras lições.
Autoria: Plano Nacional de Leitura

