Uma montanha de coisas novas nas comemorações do Centenário da República

Data de publicação: 
30.06.2011

As comemorações do Centenário da República, com mais de duas mil iniciativas que se espalharam por todo o território nacional, deram origem a “uma montanha de coisas novas, com estudos e interpretações” que permitiram “uma melhor compreensão do universo republicano” .
A afirmação é dos historiadores António Ventura e António Matos Ferreira, em jeito de balanço das comemorações do Centenário, que se iniciaram a 31 de Janeiro de 2010 e terminam em Agosto de 2011, quando se completarem 100 anos da Constituição da República Portuguesa de 21 de Agosto de 1911.
Ao longo desse período, o público respondeu às múltiplas solicitações e mais de 200 mil pessoas visitaram as cinco exposições directamente promovidas pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR), audiência que se distribuiu pelas exposições “Resistência”, “Viva a República”, “Corpo”, “Viajar” e “Educar”.
Mas além destas, outras 60 exposições se realizaram no país, por iniciativa de diversas instituições, entre elas o Instituto dos Museus e da Conservação, a cargo de quem esteve a realização de 11 mostras e edição dos respectivos catálogos.
Surpreendente e muito positiva foi a participação das escolas e dos municípios nas comemorações, o que se traduziu em centenas de actividades desenvolvidas, quer pelos estabelecimentos de ensino quer pelas câmaras.
O desafio às escolas fora lançado pela CNCCR ainda em 2009, numa parceria que envolveu o Ministério da Educação. Em resposta, 688 estabelecimentos de ensino participaram activamente nas comemorações, desenvolvendo programas próprios comemorativos ou integrando-se em actividades lançadas pela Comissão Nacional.
No Portal do Centenário, em que se constituíram 550 turmas, registaram-se os eventos promovidos por 380 escolas que nele divulgaram os seus programas comemorativos.
Para estimular a participação, a CNCCR promoveu cinco concursos sobre temas alusivos à República, o mais participado dos quais foi “A minha T-shirt da República”, que envolveu 1500 alunos de diversos estabelecimentos de ensino.
O mesmo envolvimento se notou por parte das autarquias, que desenvolveram mais de 2176 iniciativas no âmbito das comemorações, 800 das quais foram inscritas no Portal do Centenário.
Uma exposição itinerante,” Viva a República …em digressão” percorreu já perto de 170 municípios do país, respondendo ao interesse manifestado pelas câmaras e com um sucesso que os meios de informação local têm vindo a revelar.
Oficinas de animação realizadas pela Monstra, numa parceria com a CNCCR, no projecto Mix República e workshops de fotografia, numa parceria com o Instituto Politécnico de Tomar percorrem o país, com actividades descentralizadas.
Iniciativas como a Árvore do Centenário e o projecto dos Bosques do Centenário tiveram grande receptividade junto das autarquias e das escolas, bem como junto das pessoas a nível individual, tendo já dado lugar à plantação de cerca de 12 mil árvores.
Nas edições contabilizaram-se dezenas de livros relativos à história da I República. Além das publicações de iniciativa directa da Comissão, como os catálogos das cinco exposições do Centenário, foram publicados 20 Roteiros Republicanos e a colectânea República das Artes. Mas a este esforço da Comissão, juntou-se a iniciativa de outras instituições e de historiadores, jornalistas e escritores que editaram perto de 50 livros, no âmbito das comemorações.
Também os media deram relevo ao Centenário, não só divulgando o programa da CNCCR como desenvolvendo iniciativas específicas e programas próprios em torno dos 100 anos da República.
Séries documentais e de ficção surgiram na RTP, além do acompanhamento  das comemoraçõesi feito pelos diversos canais de televisão e que envolveram também a SIC e a TVI. A agência Lusa criou o Almanaque da República, o Jornal de Notícias deu destaque semanal aos 100 anos da República, o jornal Público criou um suplemento que foi depois publicado em livro e nas rádios houve programas semanais dedicados ao Centenário, como sucedeu na RDP, quer na Antena Um, quer nas Antenas Internacionais, bem como na TSF, Rádio Renascença e Rádio Clube Português (estação entretanto extinta).
Onze colóquios internacionais e 26 conferências fizeram também parte do programa, no eixo República e Academia, a que se juntaram quatro colóquios sobre temas da actualidade, como as migrações e as desigualdades sociais, no eixo República e Cidadania.
Ao Portal do Centenário, onde foram divulgadas as diversas acções, juntaram-se ainda 21 sítios na Internet, entre eles o República das Crianças, que esteve entre os mais visitados.