A Sagração da Primavera

Data de publicação: 
14.07.2010

Artes e Espectáculos
A Sagração da Primavera

Co-produção: Companhia Olga Roriz com a Fundação Centro Cultural de Belém. Apoio institucional da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República

Calendário:
29 de Maio a 3 de Junho de 2010 | Lisboa | Centro Cultural de Belém
17 e 18 de Junho de 2010 | Viana do Castelo | Teatro Municipal Sá de Miranda
23 de Outubro de 2010 | São Miguel, Açores | Teatro Micaelense

Direcção e Coreografia: Olga Roriz
Música: Igor Stravinsky – “A Sagração da Primavera”
Interpretação: Orquestra Metropolitana de Lisboa
Maestro: Cesário Costa
Cenário: Pedro Santiago Cal
Figurinos: Olga Roriz e Pedro Santiago Cal
Desenho de luz: lemente Cuba
Ensaiadora: Sylvia Rijmer
Professores: Jácome Filipe | Sylvia Rijmer | Teresa Ranieri | Vítor Garcia
Assistente da direcção artística: Laura Moura
Assistente de guarda-roupa, cenografia e adereços: Maria Ribeiro  | Miguel Justino
Montagem, afinação e operação de luz: Daniel Verdades
Costureira: Florinda Basílio
Director de produção: Pedro Quaresma
Produtor executivo: Teresa Brito

A Minha Sagração

Apenas o facto de escrever ou deixar escapar-me da boca a conjugação destas duas simples palavras «a minha Sagração», me transtorna a mente, o coração, a flor da pele.

O tempo parece não ter passado desde que, ainda jovem, interpretei o papel da eleita do coreógrafo Joseph Roussillo no Ballet Gulbenkian.

O tempo parece não ter passado desde a primeira vez que vi, num minúsculo televisor, a versão de Pina Baush e ter decidido nunca coreografar esta peça.

O tempo parece não ter passado desde a polémica estreia de Nijinsky/Stravinsky.

Mas o tempo passou e a obra perdura no nosso imaginário cultural.

O fascínio e respeito pela partitura foram determinantes para a minha interpretação, construção dramatúrgica e coreográfica da peça. A fidelidade ao guião de Stravinsky foi, desde o início, o único caminho com o qual me propus confrontar.

No entanto, dois aspectos se distanciaram do conceito original. Visões personalizadas que imprimem à história uma lógica mais possível à minha compreensão, mais aprazível à minha manipulação.

Em 1º lugar concedi ao personagem do Sábio um protagonismo invulgar, sendo ele que inicia a peça. Ainda em silêncio e durante todo o Prelúdio habita o espaço solitário e vazio traçando nos seus gestos um percurso de premunição, antecipação e preparação do terreno para o ritual. A 2ª opção, que se distancia drasticamente do conceito original, reside no facto de o personagem da Eleita não ser tratada como uma vítima no sentido dramático da questão. A minha Eleita sente-se uma privilegiada e quer dançar até sucumbir. Em nenhum momento se sente obrigada ou castigada nem o medo a invade. Ela expõe a sua força e energia vitais lutando cegamente contra o cansaço.

Olga Roriz

Mais informação em:
http://www.ccb.pt/sites/ccb/pt-PT/Programacao/Danca/Pages/sagra%C3%A7%C3%A3odaprimavera.aspx