O Congresso Republicano de Setúbal

Data de publicação: 
18.04.2009

Um colóquio sobre “O Congresso Republicano de Setúbal” em que se debateu o Partido Republicano Português e as suas estratégias políticas, assinalou no dia 18 de Abril de 2009, a passagem dos 100 anos sobre este importante encontro do PRP, que tanto significado teve na implantação da I República em Portugal.

Foi no Congresso Republicano de Setúbal, realizado nos dias 23, 24 e 25 de Abril de 1909, no antigo Teatro Rainha D. Amélia – hoje o Fórum Luísa Todi  – que se decidiu a via revolucionária para a conquista do poder, quando até aí era por muitos defendida uma perspectiva mais pacífica e evolucionista, da conquista deputado a deputado, câmara a câmara, como caminho para a implantação da República.

Foi deste Congresso que nasceu um Directório já com um mandato para preparar a revolução. Nele se confrontaram as tendências dos protagonistas: Bernardino Machado, Afonso Costa e Jacinto Nunes, que defendiam a via pacífica, contra os que pugnavam pela via insurreccional como António José de Almeida e João Chagas – cuja proposta de criação de comités revolucionários, civis e militares acabaria por ser votada.

No Congresso de Setúbal, em que Bernardino Machado, Afonso Costa e António José de Almeida findaram os mandatos para que haviam sido eleitos no Congresso do Porto de 1907 –foram eleitos Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro e José Relvas e, como substitutos, Inocêncio Camacho e José Barbosa.

As associações secretas da Maçonaria (Grande Oriente Lusitano) e Carbonária tiveram também muito peso neste Congresso de Setúbal, em que se registou ainda uma singularidade: nele, pela primeira vez, tomou a palavra uma mulher, Ana de Castro Osório, uma setubalense e dirigente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas – numa intervenção que seria a primeira de um longo caminho a percorrer pelas mulheres republicanas, cujos direitos de participação a implantação da I República não garantiu e que só muito mais tarde, já durante o Estado Novo, viriam a ser reconhecidos.

O colóquio de dia 18 de Abril, a realizar nos Paços do Concelho de Setúbal, faz parte das comemorações do Centenário da República no distrito de Setúbal e é uma organização da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal, do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL, do Centro de Estudos Bocageanos e do Centro Cultural Emmérico Nunes, instituições que se uniram para celebrar os 100 anos da implantação da República.
Conta também como o patrocínio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.

Neste colóquio participam António Reis, que falará sobre o republicanismo, António Ventura, que dissertará sobre “A Carbonária e a revolução”, Maria Alice Samara, que abordará o tema Republicanismo: a “estratégia ordeira” e Albérico Afonso, que abordará o tema do Congresso de 1909: “O Republicanismo entre a revolução e a ordem”.

“Porque venceu e porque caiu a I República” será o tema da análise a fazer por Fernando Rosas, que fará a conferência de encerramento do colóquio.

João Serra, membro da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, também intervirá, em representação da CNCCR nestas comemorações.