Histórias de Lisboa da Revolução

Data de publicação: 
02.10.2010

Histórias de Lisboa da Revolução

A importância estratégica da Rotunda só foi descoberta a 5 de Outubro, mas nas revoltas subsequentes verificadas durante a I República ela passou a ser utilizada como local de barricadas das tropas.

“A primeira ocupação revolucionária da Rotunda foi casual e só a seguir ao 5 de Outubro ela passou a ser considerada um local estratégico importante”, contou hoje o historiador Fernando Rosas, que conduziu uma visita à “Lisboa da Revolução”, uma iniciativa promovida no âmbito das comemorações do centenário da República.

Cerca de 30 pessoas ouviram atentamente as palavras do historiador que, em cada um dos locais visitados, falou dos muitos episódios revolucionários aí vividos ao longo da história da República.

No caso da Rotunda, a “descoberta” feita a 5 de Outubro, quando o local era ainda um enorme descampado, decorreu da forma como evoluíram os combates entre as tropas fiéis à monarquia e as forças revolucionárias.

“As tropas revoltosas vinham de Campo de Ourique e já tinham ocupado Artilharia Um, o que era importante porque fornecia artilharia aos revolucionários. Mas o plano era marchar para as Necessidades e cercarem o palácio real”, explicou Fernando Rosas.

Esse percurso foi porém interrompido pelas forças monárquicas, quando a Guarda Municipal, cujo quartel-general estava no Largo do Carmo, obrigou os revoltosos a retroceder.

Mas após o 5 de Outubro de 1910, a Rotunda voltaria a ser palco de outros combates e “teve uma longa história a partir de então”, salientou Rosas, enumerando o golpe decembrista de Sidónio Pais, que a 5 de Dezembro de 1917 instalou na Rotunda um acampamento, no combate contra Afonso Costa. E mais tarde, na “Noite Sangrenta” de 1921, ou ainda com os reviralhistas, a 26 de Agosto de 1931.
Muitas histórias se ouviram ao longo da visita pela Lisboa da Revolução, que passou também pelo Largo do Rato – outro cenário de confrontos quer no 5 de Outubro quer depois, durante os muitos combates travados durante I República.

O largo da Misericórdia, onde existiram os jornais “O Mundo” e “República”, a Praça do Município – onde em 1910 foi proclamada a República e o Terreiro do Paço foram outros locais por onde passou a visita, que terminou no Quartel dos Marinheiros em Alcântara.