Exposição: A Implantação da República na Madeira

Data de publicação: 
02.05.2010

Exposição
A Implantação da República na Madeira

Local : Sala de Exposições da Reitoria da Universidade da Madeira
Período de exibição: 17 a 30 de Setembro

Resumo: O enquadramento da ilha da Madeira no quadro das grandes navegações do Atlântico Norte transformou o porto do Funchal num importante entreposto de ideias e experiências. Um dos sinais precursores em Portugal do movimento que haveria de implantar as instituições liberais nasceu na Madeira através da formação das sociedades secretas maçónicas, de influência inglesa e francesa, que na primeira metade do século XVIII passaram ao Continente. Se com a Vilafrancada e, depois, com o governo do infante D. Miguel, as mesmas sociedades foram severamente perseguidas, de certa forma nunca deixaram de existir e seria, em boa parte, com base nas mesmas, que se haveria de implantar a República.

A Madeira tornou-se a partir dos meados do século XVIII num paraíso para os naturalistas, levando à constituição de quintas de aclimatação para servirem os jardins e os parques régios e universitários continentais, transformando-se a partir dos meados do XIX, num destino privilegiado de turismo terapêutico e, nessa sequência, também de lazer. Pela Madeira passaram por essas décadas algumas das mais carismáticas figuras da alta aristocracia europeia, com os seus acompanhantes, tudo contribuindo para transformar a cidade num centro altamente cosmopolita.      

A estadia de inúmeros navios na baía do Funchal levou a que as suas tripulações procurassem em terra ocupação para os momentos de lazer, levando à constituição de equipas de futebol, tendo sido na Achada da Camacha, em 1875, que se realizou o primeiro jogo de futebol em território português. Em breve o local de eleição seria o Campo de D. Carlos, no Bairro de Santa Maria. Antes da implantação da República já se fundava ali o Clube de Sport Marítimo e no Verão de 1910, uma equipa do republicano cruzador Adamastor, que em Outubro haveria de bombardear o palácio das Necessidades, já ali jogava uma partida de futebol com uma equipa de populares locais, demonstrando a existência de contactos.

A Madeira elegera, em 1882, o segundo deputado republicano para as Cortes de Lisboa, o Dr. Manuel de Arriaga, numa eleição que teve foros verdadeiramente nacionais. A alteração do sistema eleitoral não permitiu que tal voltasse a acontecer, mas não deixando os republicanos de ganhar grande parte das seguintes eleições na área urbana do Funchal e de terem forte implantação na Ribeira Brava, no Caniço e em Gaula. Implantada a República em Lisboa, os membros do Partido Republicano demonstraram de imediato uma interessante contenção e capacidade de controlo urbano, tendo a transição decorrido sem especiais incidentes.

A implantação do regime republicano, no entanto, sofreria avanços e retrocessos, face à incapacidade de cumprir o vasto programa de reformas a que se propunha. A situação de instabilidade vivida levou ao poder sucessivamente ditaduras militares, que voltaram a chamar muitos dos antigos quadros simpatizantes do anterior regime, mas situação tornara-se irreversível e, embora com vários pronunciamentos monárquicos, a República em si, não conheceu retrocesso.