Como se fazia e via cinema em Portugal no início do século

Data de publicação: 
10.12.2010

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No jardim, um homem baloiça-se entre as árvores, para trás e para a frente, para trás e para a frente. Estas são algumas das primeiras imagens em movimento feitas em Portugal. O filme “No jardim”, de Aurélio Paz dos Reis, feito em 1896, é um dos que está agora em exibição, em Lisboa, na exposição “Cinema em Portugal – Os primeiros anos”, inaugurada dia 9 de Dezembro no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.

Como se faziam filmes no início do século XX em Portugal é um cenário que está também montado nesta exposição. Numa parede, uma grande fotografia da rodagem de Os Fidalgos da Casa Mourisca, em 1920, serve de pano de fundo. À frente dessa imagem, num tripé destaca-se uma câmara de filmar Pathé Professionel (1908), de Pierre Victor Constinsouza, inventor e um dos primeiros fabricantes da empresa dos irmãos Pathé, que chegou a dirigir.

Às máquinas usadas para fazer cinema, juntam-se nesta exposição as que eram usadas no princípio do século para mostrar cinema, como o projector Lumière e as imagens estereoscópicas de Paz dos Reis,premiadas na exposição universal Paris 1900, que se encontram logo no primeiro módulo da sala de exposições temporárias do MCUL.

Neste espaço foi criado um pequeno auditório, onde se podem ver excertos de filmes como “Douro Faina fluvial” de Manoel de Oliveira, ou ainda imagens de cenas de naufrágio na Nazaré, do filme Maria do Mar, de Leitão de Barros.

A par dos projectores e das câmaras de filmar, a exposição reúne ainda um conjunto de documentos da história do cinema português, entre eles um diploma da Escola de Arte Cinematográfica Rino Lupo, atribuído a Joaquim Justiniano Marques em Dezembro de 1927.
Desenhos de Stuart Carvalhais feitos para o primeiro filme sonoro português, A Severa, de Leitão de Barros, cartazes de filmes como “Um chá nas nuvens”, ou ainda de produções mais tardias como “A canção de Lisboa” fazem também parte desta exposição que vai estar patente no MCUL até 29 de Maio de 2011 e que resulta de uma parceria entre a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, a Cinemateca Portuguesa e o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.