30 de Junho de 1911 - Um protesto patriótico
30 de Junho de 1911 - Um protesto patriótico
O jornal O Século dá conta de um acontecimento inesperado: “Ontem, de dia, mão anónima colou numa das faces da coluna que sustenta, na Avenida da Liberdade, o busto de Pinheiro Chagas, uma folha de papel tajado de luto, onde se liam estes versos:
«Foi tribuno e poeta, Amou o seu país,
tracejou-lhe a história,
viveu pobre e assim morreu, porque assim quis,
vendo num nome honrado a verdadeira glória.
Foi-lhe brasão a honra, a liberdade culto,
e a pátria, a pátria querida,
nunca pôde sonhá-la avergada a um insulto,
nem jamais, com horror, a visionou traída.
Com piedade te enluta o povo português,
de quem cantaste os brilhos,
pois afronta a tua pátria o estrangeiro, não vês?
Há traidores que incita, e os traidores são teus filhos!»
Acrescente-se que o busto do ilustre escritor apareceu ao mesmo tempo envolto em crepes.”
Fonte: O Século n.º 10614, 30 de Junho de 1911, p.1

