28 de Junho de 1911 - Arrolamento na Sé Patriarcal
28 de Junho de 1911 - Arrolamento na Sé Patriarcal
É noticiado no jornal O Século o trabalho de arrolamento dos bens da Sé Patriarcal de Lisboa: “Em cumprimento da lei de separação do Estado e da Igreja, principiou ontem, na Sé Patriarcal, o arrolamento dos bens e todos os objectos ali pertencentes, entre os quais se destacam as preciosidades que existem no tesouro, cujo valor é, como se sabe, calculado em três mil contos, em ouro, prata, pedras preciosas, panos de Arras, persas, colchas da Índia e de veludo lavrado, paramentos de várias épocas, bordados a ouro, de brocado, de damasco, lustrina, etc. (…)
O arrolamento principiou pelos títulos da dívida pública interna (…). Em seguida, arrolaram-se as escrituras dos foros que, pela extinção da Sé de Lisboa, passara, para aquela Sé metropolitana, com a obrigação de serem rezadas duas missas por mês, sendo o rendimento distribuído pelos cónegos e beneficiados que assistirem às referidas missas. Segundo o trabalho de catalogação que existe na Sé, esse rendimento ascendia anualmente à quantia de 66$575 réis.
O arrolamento dos foros deve levar ainda alguns dias, depois do que se tratará do mobiliário e das alfaias.
A custódia e a cruz de esmalte já ontem foram vistas, conservando-se nas respectivas caixas fortes até ser nomeado o perito (…).
A comissão tem-se encontrado em graves embaraços nos trabalhos de arrolamento, em virtude da catalogação estar deficientemente feita.
A autoridade administrativa requisitou ontem ao sr. comandante da divisão uma força da guarda republicana, para estar à porta da Sé enquanto durar o arrolamento.”
Fonte: O Século n.º 10612, 28 de Junho de 1911, p.1

