27 de Junho de 1911 - O cão “Pardal”
27 de Junho de 1911 - O cão “Pardal”
O jornal O Século divulga a seguinte notícia: “O Pardal é aquele cão da esquadra dos Caminhos-de-Ferro, verdadeiro émulo do antigo box da estação policial da Boa Vista que, como este, constitui o pesadelo constante dos gatunos e rufias conhecidos da polícia. Por várias vezes o Século tem noticiado as proezas do Pardal, auxiliando os agentes de segurança na caça aos habitués das vielas de Alfama, revelando-se sempre um animal de rara inteligência.
Não há muitos meses ainda que ele foi ferido com uma facada no pescoço, obra de algum rufia, não se chegando nunca a apurar quem fosse o agressor. Ultimamente o pobre cão cegou de um olho, principiando a andar triste, mas, ainda assim, lá se ia arrastando até ao governo civil, a acompanhar presos ou a seguir as rusgas policiais que, nestes meses, têm sido bastante frequentes em todo o bairro de Alfama.
Ontem, pelas 9 da manhã, o Pardal apareceu no largo dos Caminhos-de-Ferro todo ensanguentado, indo um popular avisar do caso a polícia. Recolhido na esquadra, verificou-se que apresentava um profundo golpe próximo das espáduas. Levado à Farmácia Pereira, da rua do Paraíso, foi-lhe o ferimento devidamente desinfectado, prontificando-se o proprietário da mesma a fazer-lhe diariamente o curativo. Por iniciativa do cabo Carmo, comandante da esquadra, foi aberta uma subscrição, para a qual concorreram também muitos moradores daquele largo, ficando ontem em cerca de 10$000 réis. Esta quantia é destinada a estabelecer um prémio para aquele que indicar quem foi o agressor do Pardal.”
Fonte: O Século n.º 10611, 27 de Junho de 1911, p.4

